'Demonização de Macri teve efeito contrário'

O braço territorial da coalizão Cambiemos, do candidato conservador à presidência argentina, Mauricio Macri, é a União Cívica Radical (UCR), único partido a tirar o peronismo do poder em décadas. Sua aliança com o Proposta Republicana (PRO), legenda liberal criada por Macri há 10 anos e sem sede em centenas de cidades, descontentou militantes da UCR avessos a unir-se à direita.

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2015 | 02h02

O candidato governista, Daniel Scioli, compara essa coalizão à que tirou o peronismo do poder em 1999 e se dissolveu em 2001, na maior crise institucional e econômica do país. O presidente da UCR, Ernesto Sanz, falou com o Estado na Província de Jujuy, onde Macri encerrou sua campanha.

Todas pesquisas apontam Mauricio Macri como ganhador. Já se considera ministro da Justiça?

É preciso esperar. A eleição será ganha quando contarmos os votos. Acredito que há um ânimo de mudança, um desejo majoritário que parece consolidado.

Como Macri conseguiu reduzir a imagem de empresário milionário sem contato com o povo?

Primeiro, houve muito mérito dele. O contato com a população foi muito humano, direto e valioso (Macri usou visitas a eleitores como tática). Por outro lado, o governo se dedicou a demonizá-lo. E fez isso tão grotescamente que só conseguiu o efeito contrário. O povo se deu conta de que havia uma grande mentira.

Como conseguiram chegar até o fim da campanha com essa aliança que muito consideravam improvável há alguns anos?

Governar com uma coalizão na Argentina é um desafio gigante. Mas podemos conseguir. Todos nos colocamos de acordo com um programa comum de progresso e desenvolvimento.

Governar com minoria no Congresso pode tornar a vida de Macri difícil?

Ocorreu com Dilma no Brasil, também no Uruguai, no Chile a Concertação governa sem maioria. Há muito lugares no mundo onde se governa sem maioria. É preciso um programa de governo racional que seja compartilhável (a coalizão tem 91 dos 254 deputados).

O grande desafio do próximo governo é a economia?

Não é a economia. É unir os argentinos em um projeto de progresso e crescimento.

Dos três eixos da campanha de Macri, esse parece o mais vago. Como prometer união?

Uma liderança inteligente, humana, de reconstrução de valores pode conseguir isso.

Qual será o futuro da presidente Cristina Kirchner se Macri vencer a eleição?

Ela tem duas opções. Ser uma ex-presidente que trabalha com carinho e amor para sua pátria, e considera seu ciclo na função pública acabado. E pode ser alguém que com ressentimento e ódio se dedique a destruir. Espero que seja o primeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.