Demora na ajuda humanitária penaliza vítimas de terremoto

Soldados começaram a distribuir nesta segunda-feira os primeiros sacos de arroz para líderes de aldeia nas zonas afetadas pelo terremoto que atingiu a ilha de Java, na Indonésia, no último sábado. Contudo, os sobreviventes afirmam que a ajuda não é suficiente para alimentar as dezenas de milhares de pessoas acampadas em vilarejos destruídos. "Temos 300 pessoas nesta aldeia e recebemos apenas dois sacos de arroz. Não é o suficiente", afirmou Lastri, de 27 anos, enquanto segurava seu bebê de 5 meses em nos braços. Um avião das Nações Unidas chegou à zona afetada nesta segunda-feira e caminhões da ONU viajam pelas estradas para tentar atender as famílias afetadas. No domingo, três caminhões da ONU trouxeram barras de cereais de alta concentração de calorias para sobreviventes e dois aviões de carga militares de Cingapura transportaram médicos e suprimentos hospitalares. Ainda assim, autoridades locais insistem que a ajuda continua inadequada. Contudo, as rachaduras na pista de vôo do principal aeroporto da região, danificadas durante o terremoto de magnitude 6,3 na escala Richer, e a condição precária das estradas devem retardar a distribuição da ajuda. VítimasO governo da Indonésia informou nesta segunda-feira que o número de mortos aumentou de 800 para 5,137, afirmando que a nova contagem inclui corpos enterrados em deslizamentos de terra logo após o tremor. Funcionários do governo estimam que 200 mil pessoas estejam desabrigadas, a maioria delas vivendo em cabanas improvisadas próximas a suas antigas casas ou em abrigos construídos perto dos campos de arroz. Os hospitais estão superlotados com feridos e sobreviventes. A área afetada pelo terremoto se estende por centenas de quilômetros quadrados, a maioria ocupadas por comunidades agrícolas ao sul de Yogyakarta.A indonésia espera que a ajuda estrangeira seja o suficiente para cobrir 50% dos custos de reconstrução, estimados em um 1 trilhão de rupias, cerca de US$ 161 milhões.O presidente, Susilo Bambang Yudhoyono, visitou refugiados nesta segunda-feira e reconheceu a "falta de coordenação" na distribuição de ajuda. Ele pediu para que as autoridades governamentais sejam mais "ágeis". Ajuda internacionalCerca de 22 países contribuíram ou ofereceram ajuda para a Indonésia, segundo o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, em Genebra. Os Estados Unidos que contribuíram com US$ 2,5 milhões para o fundo de ajuda, disseram que cem médicos e enfermeiras estão sendo deslocados para o local, com equipamentos cirúrgicos, odontológicos e máquinas de raio X.A China prometeu enviar US$ 2 milhões para ajudar nos primeiros socorros. O Japão ofereceu US$ 10 milhões e afirma que está enviando soldados por terra e mar. O governo do Reino Unido pretende contribuir com US$ 7,5 milhões e a França irá enviar remédios, médicos e talvez hospitais de emergência. Espanha, Alemanha e outros países europeus também prometeram ajuda.

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