Denúncia de fraude eleva tensão na Bolívia

Em meio a protestos de governistas, Justiça suspende apuração em Pando, onde observadores da OEA questionam resultado de 13 mesas

LA PAZ, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

A suspeita de fraude eleitoral no Departamento (Estado) de Pando, no norte da Bolívia, está retardando a divulgação do resultado final das eleições regionais de domingo e ameaça dar início a um novo embate entre partidários do presidente Evo Morales e líderes opositores, no mesmo local onde 13 pessoas morreram em confrontos políticos há dois anos.

A contagem dos votos no departamento foi interrompida na segunda-feira à noite, depois que o candidato pró-Evo, José Luis Flores - que teria conseguido 49% dos votos -, acusou três delegados de uma mesa eleitoral da cidade de Cobija, na fronteira com o Acre, de fraude eleitoral. Seu rival, Paulo Bravo, estaria com 47% dos votos.

A denúncia de Flores levou a Justiça Eleitoral a suspender a apuração em Pando até ontem e fez com que o chefe da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Arístides Royo, levantasse suspeitas sobre o resultado de "13 atas eleitorais" do departamento.

No domingo, partidários de Evo protestaram na frente da Corte Departamental Eleitoral (CNE) de Pando e tiveram de ser contidos pela polícia. O presidente da corte, Antonio Costas, denunciou o clima de "beligerância" e "muita pressão".

Ontem, uma nova suspeita de fraude, desta vez no Departamento de Beni, levou Evo a ameaçar processar juízes eleitorais acusados de prejudicar o desempenho de seus aliados.

A candidata ao governo de Beni, Jessica Jordán, ex-miss Bolívia, apoiada por Evo, denunciou o desaparecimento de votos dados a ela, no momento da apuração.

"Eu pedi ao tribunal eleitoral que revise e corrija esta fraude e peço a participação da comunidade internacional", disse Evo, em discurso após a divulgação dos primeiros resultados.

Disputa. Dados da apuração oficial revelados ontem pela CNE mostram que o partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) vence em cinco dos nove departamentos bolivianos - foi derrotado em Santa Cruz, Tarija e Beni, tradicionais redutos da oposição, na parte oriental do país. O governo também calcula ter saído vencedor em mais de 220 das 337 prefeituras disputadas, embora tenha sido derotado nas maiores cidades.

Ontem, Evo avaliou o desempenho do MAS numa reunião com ministros e outras autoridades num hotel do Lago Titicaca. "Avançamos bastante. Claro que o desejo era ganhar, se possível, em todas as cidades. Mas, mesmo assim, temos dois terços das prefeituras, dois terços dos governadores e dois terços da Assembleia Plurinacional", disse.

O maior revés do presidente boliviano foi registrado nas dez cidades mais importantes do país, incluindo La Paz, Santa Cruz e Sucre, os principais centros econômicos do país. A oposição venceu em sete destas cidades, enquanto o MAS triunfou em apenas três delas. / REUTERS, AP E EFE

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