Denunciada detenção de 147 membros de oposição em Mianmá

Segundo rádio da dissidência, entre os presos há monges de 16 e 18 anos e noviços de cinco e dez anos

Efe,

03 de outubro de 2007 | 01h33

Pelo menos dez parlamentares da Liga Nacional pela Democracia (LND) e 137 membros desse partido, a principal legenda opositora de Mianmá, foram detidos por causa dos protestos contra a Junta Militar, segundo informa a rádio A Voz Democrática.  Veja também:Após encontros, enviado da ONU deixa MianmáEnviado da ONU se reúne com líder de Mianmá Entenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges  A emissora da dissidência, com base em Oslo (Suécia), assinalou que o último dos detidos é U Saw Lwin, eleito nas legislativas de 1990, vencidas pela LND e cujos resultados nunca foram reconhecidos pelo regime militar. U Nyan Win, porta-voz da LND, declarou à rádio que o parlamentar foi detido na noite do dia 26 de setembro sob a promessa de ser libertado após o interrogatório, o que não aconteceu. O porta-voz também denunciou a detenção nesse dia de U Paw Thein, U Bo Se e U Maung Than, todos integrantes da LND. A Voz Democrática de Mianmá também informa que cerca de 1.900 pessoas, entre monges, freiras budistas, estudantes e civis, permanecem detidos no colégio técnico de Insein, ao norte de Rangun. Segundo a fonte, entre os prisioneiros há monges de 16 e 18 anos e noviços de cinco e dez anos, que, da mesma forma que as freiras budistas, foram obrigados a usar roupas civis. Acrescenta que os detidos, que são vigiados por tropas do Batalhão 77, uma das divisões militares encarregadas de reprimir os protestos, poderiam ser enviados para cumprir trabalhos forçados no campo de prisioneiros de Sagaing. Mianmá é governada pelos militares há 45 anos e não realiza eleições parlamentares desde 1990, quando o partido oficial perdeu para a LND de Aung San Suu Kyi, Prêmio Nobel da Paz e em prisão domiciliar desde 2003. Suu Kyi se reuniu de novo na terça-feira com Ibrahim Gambari, enviado especial da ONU a Mianmá para buscar uma solução para uma crise que, desde o dia 25 de setembro, custou a vida de cerca de 200 pessoas, segundo a dissidência. A Junta Militar só reconhece 10 mortes.

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