EVA HAMBACH / AFP
EVA HAMBACH / AFP

Denunciante de Trump era agente da CIA na Casa Branca, informa imprensa dos EUA

Ainda sob anonimidade, o agente havia sido deslocado para a Casa Branca, seguindo protocolo; Trump acusou envolvidos de espionagem e traição

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 16h42

WASHINGTON - O funcionário do governo dos Estados Unidos que fez uma denúncia anônima a respeito do telefonema entre o presidente Donald Trump e o presidente da Ucrânia, Vlodmir Zelenski, que culminou no pedido de abertura de um processo de impeachment contra Trump, é um agente da CIA que foi deslocado para a Casa Branca, informa o jornal americano The New York Times

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Em NY, Trump criticou o informante. 'Nos velhos tempos, espiões eram tratados de outra maneira', disse. Desde a denúncia, o homem retornou à CIA, de acordo com três pessoas próximas a ele. A divulgação do documento com os detalhes de sua denúncia, enviado ao Congresso dos EUA nesta quinta-feira, 26, sugere que ele seja um analista inteirado nos detalhes da política externa americana para com a Europa, além de possuir conhecimento da política ucraniana.

A sua formação e especialidade no assunto deve servir de base aos deputados que defendem que sua denúncia é válida, contrariando alegações de que ele não tenha entendido corretamente os detalhes da conversa entre Trump e Zelenski.

Ele não escutou diretamente o telefonema feito em julho, onde Trump menciona as investigações na Ucrânia contra o ex-vice presidente e pré-candidato democrata para 2020, Joe Biden, e seu filho, Hunter Biden, então funcionário da empresa de gás ucraniana Burisma, e alvo de investigações de corrupção no país.

Os advogados do denunciante se recusaram a confirmar que ele trabalhou para a CIA e afirmaram que qualquer divulgação sobre sua identidade possa ser perigoso.

O diretor da Inteligência Nacional dos EUA, Joseph Maguire, que depôs no Congresso nesta quinta, negou que saiba a identidade do homem e defendeu que ele fez a decisão certa em denunciar.

Agentes e analistas militares, da inteligência e jurídicos costumam trabalhar normalmente na Casa Branca. Com frequência, compõem o Conselho Nacional de Segurança ou garantem segurança para comunicações oficiais, justamente como ligações entre o presidente e líderes de Estado estrangeiros.

De acordo com a denúncia, o funcionário da CIA soube dos detalhes da ligação entre Trump e Zelenski “no curso oficial” da troca de informações entre agências do governo, prática comum na Casa Branca.

Trump duvidou da credibilidade do denunciante nesta quinta, escrevendo em sua conta no Twitter que as informações concedidas na denúncia poderiam ser descartáveis por serem “de segunda-mão”.

O presidente também ameaçou o denunciante e suas fontes. “Eu quero saber quem é a pessoa que deu as informações ao denunciante, porque isso é próximo a ser um espião”, disse o presidente a funcionários da missão dos EUA na ONU, onde estão reunidos em Nova York para a Assembleia-Geral. “Vocês sabem o que nós fazíamos antigamente quando éramos inteligentes com espiões e traições, certo?”, acrescentou. “Nós lidávamos com isso um pouco diferente do que fazemos agora”. / NYT

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