Denúncias agravam escândalo de promotores nos EUA

O escândalo causado pela demissão de oito promotores federais, que afeta o procurador-geral dos EUA, Alberto Gonzales, se intensificou com as novas denúncias de uma suposta participação da Casa Branca nas medidas do Judiciário. O Departamento de Justiça entregou, nesta segunda-feira à noite, aos investigadores do Congresso mais de 3 mil mensagens eletrônicas internas. A rede de televisão ABCNews afirmou que as comunicações demonstram o envolvimento da Casa Branca "desde o princípio". Ao mesmo tempo, ganham força as especulações sobre a renúncia de Gonzales e a imprensa americana já começou a analisar os nomes de prováveis sucessores. Os nomes foram divulgados apesar de a Casa Branca defender a gestão de Gonzales e dizer que "espera" que ele continue no cargo. As mensagens foram entregues pelo Departamento de Justiça, e publicadas nesta madrugada pelo Comitê Judicial da Câmara de Representantes em seu site. Elas revelam as conversas no governo sobre os promotores que deviam ser despedidos. A medida, segundo legisladores democratas, teve razões políticas e não profissionais. As mensagens foram divulgadas pouco depois de o site www.thepolitico.com afirmar que a Casa Branca está estudando nomes de possíveis sucessores de Gonzales. Entre os prováveis substitutos estariam o secretário do Departamento de Segurança Nacional, Michael Chertoff; o coordenador de política antiterrorista da Casa Branca, Frances Townsend; e o ex-subsecretário de justiça Larry Thompson. Segundo legisladores democratas, que já ganharam o apoio de dois republicanos, a demissão teve sua origem numa vingança política do governo do presidente George W. Bush. Harry Reid, líder da maioria democrata do Senado, acusou Gonzales de mentir sobre os motivos da demissão. Ele afirmou que as únicas razões foram de caráter político. "Nunca na história deste país tinha ocorrido algo assim. O que se fez é injusto, errado, imoral. Acho que é ilegal e Gonzales deveria ser despedido ou renunciar", acrescentou. Já o senador democrata Charles Schumer comentou que os promotores não deveriam ser despedidos "por um capricho, especialmente quando as circunstâncias sugerem que sua saída foi motivada por razões políticas". As pressões para que Gonzales renuncie aumentaram depois de o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, se limitar a dizer que a Casa Branca "espera" que ele continue no cargo. "Esperamos que Gonzales fique. O presidente disse que tem confiança nele", afirmou Snow. Os promotores foram despedidos em dezembro. O caso ganhou ares de escândalo após a revelação de que funcionários do Departamento de Justiça e a Casa Branca planejaram em detalhes a sua saída. Snow avisou ontem aos jornalistas que o Departamento de Justiça ia apresentar ao Congresso a série de mais de 3 mil documentos que detalham o papel de Gonzales e outros altos funcionários na decisão. "Os documentos, acreditam, vão responder totalmente aos pedidos dos legisladores", disse o porta-voz, poucas horas antes de os textos serem publicados no site. O presidente do Comitê Judicial do Senado, o democrata Patrick Leahy, disse no domingo que solicitaria a presença no Congresso de Gonzales, assim como de Karl Rove, principal estrategista político de Bush, e de Harriet Miers, ex-assessora legal do governo. O assessor legal da Casa Branca, Fred Fielding, se reunirá hoje com Leahy, o presidente do Comitê Judicial da Câmara Baixa, o democrata John Conyers, e membros dos comitês judiciais das duas câmaras. Eles vão analisar a forma de fornecer a informação solicitada, segundo Snow. Leahy adiou até na quinta-feira uma votação no Comitê do Senado sobre a possível convocação obrigatória das pessoas envolvidas. Antes, ele quer ouvir Fielding. No entanto, o senador esclareceu que não deseja um depoimento secreto dos altos funcionários. "Quero um testemunho sob juramento. Estou cansado de ouvir meias verdades", disse Leahy. Posição da Casa Branca A Casa Branca "espera" que o procurador-geral, Alberto Gonzales, permaneça em seu cargo, segundo disse na segunda-feira, 19, o porta-voz presidencial, Tony Snow, enquanto continua a pressão pela sua renúncia, após a demissão de oito promotores federais. Pouco antes da revelação do relatório, Snow tinha dito aos jornalistas que a Casa Branca espera que Gonzales continue no cargo. "O presidente tem confiança nele", acrescentou. Snow justificou o uso do verbo "esperar". "Ninguém é um profeta para saber o que vai acontecer nos próximos 21 meses", disse, referindo-se ao período que resta a George W. Bush como presidente dos Estados Unidos. Os oito fiscais federais foram demitidos em dezembro. O escândalo surgiu com a revelação de que funcionários do Departamento de Justiça e da Casa Branca planejaram a sua saída. O Departamento de Justiça prepara uma série de documentos para o Congresso detalhando o papel de Gonzales e outros altos funcionários na decisão. "Vão apresentar documentos que eles acham que respondem totalmente aos pedidos dos legisladores", disse Snow em sua entrevista coletiva.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 08h06

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