Denúncias além do WikiLeaks

Investigadores dizem ter encontrado no computador do soldado Manning quase 500 mil relatórios secretos

MATTHEW HAY, BROWN, THE NEW YORK TIMES, É JORNALISTA , MATTHEW HAY, BROWN, THE NEW YORK TIMES, É JORNALISTA , O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h06

Investigadores do Exército encontraram quase meio milhão de relatórios de campo do Iraque e Afeganistão em um cartão de memória de um computador entre os pertences do soldado Bradley Manning, com uma nota sugerindo que o destinatário não identificado "ocultou esta informação", enquanto decidia de que melhor maneira distribuí-la, declarou uma testemunha na audiência de segunda-feira.

A nota qualificava os relatórios como "possivelmente alguns dos mais importantes documentos do nosso tempo" e dizia que eles acabariam com a "névoa da guerra" e revelariam "a real natureza da guerra assimétrica do século 21", declarou o agente especial do Exército David Shaver ao oficial que conduz as audiências preliminares em Fort Meade.

Manning, de 24 anos, é acusado de fornecer centenas de milhares de documentos para o site WikiLeaks quando servia como analista do serviço de inteligência no Iraque. Ele é acusado de auxiliar o inimigo e violar as normas.

No quarto dia de audiências, membros da Unidade de Investigação do Exército de Crimes Eletrônicos explicaram como examinaram os computadores pessoais e do Exércitos usados por Manning e o que encontraram.

Os computadores do Exército mostraram evidências de downloads feitos de servidores no Departamento de Estado e no da Defesa. E foram encontradas quatro avaliações de presos na Baía de Guantánamo, sob o nome de usuário de Manning.

Um computador pessoal continha históricos das conversas sobre a liberação de informações do governo, endereços associados ao WikiLeaks e o que parecem ser as informações de contato para Julian Assange, fundador do WikiLeaks.

Após dois dias de debates, em que defesa de Manning argumentou que ele era um soldado com problemas que não deveria ter tido acesso a material sigiloso, seus advogados mudaram o teor da defesa, sugerindo que não havia provas de que ele seria o responsável pelos downloads ou mesmo das conversas pela internet.

Segundo David Shaver, os computadores militares eram estações de trabalho seguras a partir das quais os analistas estavam autorizados a ler material do Departamento de Estado e do Departamento da Defesa e mais de um analista estava designado para trabalhar com esses computadores. Ele disse que mais de 100 mil telegramas diplomáticos não estariam associados a Manning e 10 mil que foram encontrados em seu computador não condiziam com os publicados pelo WikiLeaks.

O investigador Mark Johnson, que examinou o MacBook Pro de Manning, afirmou que o computador não exigia senha ao ser ligado - o que significava, admitiu, que não podia dizer com certeza se Manning era o responsável pelas conversas, os endereços de IP ou detalhes de Assange encontrados em seu computador.

Ajudar o inimigo é crime considerado capital, mas os promotores do Exército não devem pedir a pena de morte. Se condenado, Manning poderá ser sentenciado à prisão perpétua.

Segundo os defensores de Manning a gravação de um ataque de um helicóptero Apache que ele teria divulgado parece mostrar evidência de um crime de guerra. O ataque em 2007 em Bagdá deixou 12 mortos, incluindo um jornalista da Reuters e seu motorista. No vídeo, pode-se ouvir a tripulação do helicóptero americano rindo e se referindo aos iraquianos como "bastardos mortos".

Os defensores de Manning afirmam que, seja quem foi a pessoa que divulgou o vídeo, ele é um herói que deveria ser protegido por denunciar tais crimes. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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