Yasuyoshi CHIBA / AFP
Yasuyoshi CHIBA / AFP

Denúncias de estupros coletivos no Sudão preocupam ONU

Organização afirmou que estaria investigando os casos de violência sexual contra mulheres civis, ativistas e equipes médicas na região

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 03h44

A informação de que milicianos do Sudão e das Forças de Apoio Rápido estupraram coletivamente mulheres manifestantes e das equipes médicas durante a repressão aos protestos no país chamou a atenção da ONU, que emitiu nota oficial nesta quinta-feira, 13.

Pramila Patten, alta funcionária da ONU para temas de violência sexual, disse que é necessário enviar uma equipe de direitos humanos do órgão para "examinar a situação no terreno, incluindo os supostos casos de abuso".

"Peço a interrupção completa e imediata de toda violência contra civis, incluindo a violência sexual", disse Patten, acrescentando que a organização trabalha para verificar as informações sobre estupros no Sudão.

"Estas incluem estupros coletivos de mulheres manifestantes, defensoras dos direitos humanos e mulheres do pessoal médico", informou Patten.

Os manifestantes sudaneses acusam as Forças de Apoio Rápido, uma unidade paramilitar muito temida, de liderar em 3 de junho a repressão dos protestos, que deixou mais de 100 mortos.

Negociadores estrangeiros querem transferência de poder aos civis

Enquanto a ONU investiga as denúncias de estupro no Sudão, representantes dos Estados Unidos e da União Africana (UA) intensificaram os esforços coletivos nesta quinta, em Cartum. Juntos, eles tentam encontrar uma solução para a crise entre os militares no governo e o movimento de protesto no Sudão, onde o derrotado presidente Omar al Bashir foi acusado de corrupção.

Retirado do cargo por um golpe militar em 11 de abril, após 30 anos no controle do país com mão de ferro, Bashir foi acusado de "corrupção" por posse "de fundos de origem estrangeira e enriquecimento ilícito", segundo a agência de notícias Suna. Em abril, o general e homem forte do atual governo sudanês, Abdel Fattah al Burhan, anunciou a descoberta de US$ 113 milhões em três moedas diferentes na residência do ex-presidente.

O julgamento de Bashir era uma das principais exigências do movimento de protesto, que exige agora a transferência de poder aos civis pelo Conselho Militar de Transição no governo.

Agora, um dos pontos defendidos pelo emissário especial de Washington, o ex-diplomata Donald Booth, e o vice-secretário de Estado para a África, Tibor Nagy, é a transferência do poder para os civis.

Booth e Nagy tinham uma reunião prevista com Al Burhan, mas não foi possível confirmar se o encontro aconteceu.

Os enviados americanos também vão se reunir com diplomatas da Arábia Saudita, Egito e Emirados Árabes, países que apoiam os militares, segundo analistas.

Os protestos no Sudão começaram em dezembro de 2018, quando o preço do pão triplicou, e se converteram depois em movimento político. Segundo um comitê de médicos próximo ao movimento de protesto, mais de uma centena de pessoas morreram e outras 500 ficaram feridas pela repressão, a maioria no dia 3 de junho. / AFP

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