Denúncias de fraude marcam votação

A votação de ontem na Rússia foi marcada por denúncias de fraude e por um intenso ciberataque contra sites de grupos opositores e de uma ONG que monitora a transparência do processo eleitoral. De acordo com jornais independentes, o governo derrubou os sites da rádio Ekho Moskvy, do portal Slon.ru e da ONG Golos - todos saíram do ar nas primeiras horas do dia.

MOSCOU, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2011 | 03h03

"Apenas o governo e o FSB (serviço de segurança) são capazes de conduzir uma campanha como essa," disse Liliya Shibanova, diretora da ONG Golos, que havia sido detida por 12 horas no sábado, no aeroporto de Moscou, e teve seu computador confiscado pela polícia.

Segundo ela, a Golos foi excluída de várias seções eleitorais na região siberiana de Tomsk. Muitos partidos reclamaram da mesma coisa - seus observadores não tiveram acesso a locais de votação.

Entre outras denúncias estavam a validação de votos de eleitores ausentes, a tentativa de introduzir de cédulas já preenchidas em urnas e pessoas que votaram mais de uma vez.

Comida por voto. O líder comunista Gennadi Zyuganov disse que militantes de seu partido encontraram 300 cédulas dentro de um urna em Moscou antes do início da votação. De acordo com ele, incidentes parecidos foram registrados em outros locais.

Em Vladivostok, os eleitores se queixaram à polícia que o Rússia Unida estava oferecendo comida de graça em troca de voto. Em São Petersburgo, um fotógrafo da Associated Press flagrou um adesivo do partido de Putin colado dentro de uma cabine de votação.

No entanto, o presidente da comissão eleitoral da Rússia, Igor Bogdanov, minimizou as queixas da oposição. De acordo com ele, o órgão recebeu ontem cerca de 250 reclamações, mas em nenhuma havia indícios de violações sérias da lei eleitoral. / AP e REUTERS

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