Eric Thayer/Reuters
Eric Thayer/Reuters

Departamento de Estado dos EUA restabelece milhares de vistos cancelados pelo veto de Trump

Presidente americano qualificou decisão do juiz como ‘ridícula’ e protocolou recurso na noite de sábado; algumas companhias aéreas voltaram a transportar para o país cidadãos afetados pelo decreto do republicano.

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2017 | 18h34

WASHINGTON - O Departamento de Estado dos EUA informou neste sábado, 4, que restabeleceu milhares de vistos de cidadãos de sete países de maioria muçulmana que haviam sido cancelados em razão do veto migratório imposto pelo presidente Donald Trump. O decreto presidencial foi bloqueado na manhã deste sábado por ordem do juiz federal de Seattle, James Robart. À noite o governo protocolou, por meio do Departamento de Justiça, um pedido de anulação da decisão judicial em uma corte federal de apelações.

"Revertemos a revogação provisória dos vistos sob a ordem executiva (de Trump). As pessoas com vistos que não foram fisicamente cancelados podem viajar agora, se o visto continua válido", disse um funcionário do Departamento de Estado, que não quis se identificar.

O Departamento de Estado afirmou na sexta-feira que havia restabelecido provisoriamente quase 60 mil vistos de estrangeiros provenientes dos sete países afetados pela entrada em vigor do veto migratório.

Trump criticou a decisão de Robart. "A opinião deste suposto juiz, que basicamente priva nosso país de sua polícia, é ridícula e será revertida", advertiu o presidente americano em meio a uma série de tuítes publicados na manhã deste sábado. "Quando um país já não tem capacidade de dizer quem pode entrar e sair, sobretudo por razões de segurança, há grandes problemas", disse o mandatário.

Em uma terceira mensagem, Trump destacou ser "interessante que alguns países do Oriente Médio" estejam de acordo com seu decreto. "Sabem que se algumas pessoas são admitidas (nos EUA) haverá morte e destruição!", escreveu.

Apesar da decisão do juiz, a Casa Branca não se deu por vencida e pretende aplicar o decreto apesar de todas as críticas que recebeu, inclusive do Partido Republicano. O porta-voz do Departamento de Segurança Interna disse que o Departamento de Justiça ativará "o quanto antes um recurso de urgência para defender o decreto". O pedido de anulação da decisão do juiz foi protocolado à noite numa corte federal de apelações. 

Ao longo da tarde, Trump continuou utilizando sua conta no Twitter para criticar a ordem do juiz, e disse que a ela fará com que "muitas pessoas ruins e perigosas" entrem no país. "Uma decisão terrível", destacou o presidente.

Efeitos. A ordem executiva de Trump, em vigor há uma semana, impede a entrada dos cidadãos do Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen durante 90 dias, e bloqueia o programa de acolhida de refugiados durante 120 dias, e de forma indefinida no caso dos sírios.

Após a resolução do juiz, o Departamento de Segurança Interna afirmou que "suspendeu todas as ações de implementação" do decreto do governo. Os controles nas fronteiras, disse Gillian Christensen, porta-voz da pasta, voltarão a ser aplicados segundo "os procedimentos habituais". 

Algumas companhias aéreas voltaram neste sábado a transportar para os EUA cidadãos dos países afetados pela proibição de entrada em território americano. Air France, Qatar Airways, Lufthansa e Swiss indicaram que estão aplicando as novas diretrizes da Justiça americana, sempre e quando os passageiros tiverem um visto em vigor.

Recentemente, o decreto de Trump levou à detenção nos aeroportos de 109 estrangeiros que residiam legalmente no país, segundo a Casa Branca, enquanto outras centenas de pessoas foram impedidas de embarcar para os EUA.

Uma semana depois de promulgada a ordem executiva, houve reações no mundo todo, como os protestos realizado neste sábado em Paris e em Londres com a participação de milhares de pessoas. Os manifestantes carregavam cartazes com manchas de sangue e frases como "Não a Trump. Não à guerra", e "Trump: relacionamento especial? Apenas diga não".

Manifestações também foram registradas na Austrália. Cerca de mil pessoas juntaram-se em Sydney para protestar contra a ordem executiva de Trump sobre imigração. Protestos parecidos aconteceram em Camberra, Newcastle e Hobart, enquanto centenas foram a comícios anti-Trump em Melbourne, na sexta-feira.  / EFE, AFP e REUTERS

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