REUTERS/Alexander Bibik
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Departamento de Justiça anuncia indiciamento de diretora da Huawei

EUA acusaram formalmente de 13 crimes a maior fabricante mundial de equipamentos de comunicações e sua diretora financeira, Meng Wanzhou, filha do fundador da companhia, presa no Canadá em dezembro

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2019 | 20h57

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou formalmente nesta segunda-feira, 28, a empresa  chinesa Huawei, maior fabricante mundial de equipamentos de comunicações, e sua diretora financeira, Meng Wanzhou, filha do fundador da companhia, presa no Canadá em dezembro. Segundo os EUA, Meng e a Huawei cometeram 13 crimes, entre eles fraude bancária e eletrônica e roubo de  segredos comerciais. A empresa também é acusada de violar as sanções dos EUA ao Irã e de conspirar para obstruir a justiça relacionada à investigação.

Segundo analistas ouvidos pela imprensa americana, a medida provavelmente intensificará as tensões comerciais entre Pequim Washington, abaladas pela guerra comercial entre os dois países. A relação piorou ainda mais em dezembro, após Meng ser presa no Canadá a pedido dos EUA. Em retaliação,  a China prendeu ao menos três cidadãos canadenses.

O procurador-geral interino Matt Whitaker, acompanhado pelos chefes de várias outras agências do Departamento, disse que os Estados Unidos vão continuar tentando extraditar Meng, que está em Vancouver, no Canadá, onde foi libertada no ano passado após pagar fiança de US$ 7,5 milhões.

Em uma das acusações, o Departamento de Justiça afirma que Meng, uma afiliada da Huawei no Irã e uma subsidiária nos Estados Unidos montaram um esquema para ajudar os bancos iranianos a escapar das sanções americanas contra o Irã. O procurador norte-americano Richard Donoghue disse que as ações da empresa de telecomunicações começaram em 2007 e "permitiram que o Irã escapasse das sanções impostas pelos Estados Unidos e permitisse que a Huawei lucrasse".

O Departamento de Justiça também acusou a Huawei de conspirar para roubar segredos comerciais de um concorrente, a T-Mobile. As acusações foram dizem respeito a uma investigação criminal que resultou de uma ação civil de 2014 entre as duas empresas. Segundo a ação, a Huwei roubou uma tecnologia robótica patenteada pela T-Mobile para diagnosticar problemas de controle de qualidade em telefones celulares. A Huawei foi considerada culpada em maio de 2017. “Essas são ações muito sérias de uma empresa que parece estar usando a espionagem corporativa não apenas para melhorar seus resultados, mas para competir na economia mundial”, disse Whitaker.

As acusações são um sinal da gravidade das preocupações dos Estados Unidos com a fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações. Há muito tempo o governo americano suspeita que a empresa trabalha para promover as ambições globais de Pequim e minar os interesses dos EUA.

“Por anos, as empresas chinesas quebraram nossas leis de exportação e solaparam as sanções, muitas vezes usando o sistema financeiro dos EUA para facilitar suas atividades ilegais”, disse Wilbur Ross, secretário de Comércio dos EUA. “Isso vai acabar.Estamos mais uma vez alertando o mundo que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para impedir aqueles que desconsideram a lei dos EUA”, acrescentou.

As acusações apresentadas na segunda-feira acontecem em um delicado momento diplomático, já que as autoridades da China devem chegar a Washington nesta semana para dois dias de negociações destinadas a resolver uma guerra comercial de meses entre as duas maiores economias do mundo. Funcionários do governo Trump insistiram que a detenção de Meng não terá impacto nas negociações comerciais, mas o momento da acusação, tão perto do encontro, provavelmente irá pressionar ainda mais as relações entre os dois países.

O governo Trump se envolveu em uma repressão violenta contra a China, que acusa de se engajar em práticas comerciais injustas, espionagem cibernética e roubo da tecnologia americana para promover os objetivos econômicos e políticos de Pequim. A Huawei, que é a maior empresa de telecomunicações da China, tem estado na frente e no centro da campanha do governo para frustrar o domínio tecnológico da China. Os Estados Unidos embarcaram em uma campanha global para impedir que a Huawei forneça a espinha dorsal da próxima geração de tecnologia sem fio, conhecida como 5G, dizendo que a empresa representa riscos à segurança nacional. / NYT e W.POST

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