Eric BARADAT / AFP
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Departamento de Justiça diz que entregará parte da investigação de Muller à Câmara

O bloqueio da administração Trump desse material tem fortalecido a investigação democrata sobre a suspeita de possível obstrução de justiça e abuso de poder 

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 15h56

WASHINGTON - O Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês), após semanas de tensas negociações, concordou em entregar ao Congresso evidências-chave coletadas pelo promotor especial Robert S. Mueller III sobre a interferência russa na eleição presidencial dos EUA de 2016. As evidências, segundo o New York Times, poderiam esclarecer as suspeitas de uma possível obstrução de justiça e abuso de poder cometidos pelo presidente Donald Trump, informou nesta segunda-feira, 10, a Comissão de Justiça da Câmara. 

O alcance exato do material que o Departamento de Justiça concordou em fornecer não estava imediatamente claro, ainda que a comissão tenha assinalado que ele representa um avanço após semanas de uma disputa sobre esse conteúdo e outros que a comissão tem pedido sob intimação. O bloqueio da administração Trump desse material tem fortalecido a investigação democrata sobre a suspeita de possível obstrução de justiça e abuso de poder. 

"Esses documentos nos permitirão conduzir nossos deveres constitucionais e decidir como responder às alegações que pesam contra o presidente e o promotor especial", disse o deputado Jerrold Nadler, de Nova York, presidente da comissão, em comunicado. 

Nadler disse esperar que o departamento comece a compartilhar parte desse material ainda nesta segunda-feira e todos os membros da comissão, incluindo republicanos, poderão examiná-lo separadamente, de forma privada. 

O acordo parece ter sido acertado em uma troca de cartas nas últimas semanas entre a comissão e o departamento. Em uma carta de 24 de maio, destaca-se um compromisso proposto por Nadler de que ele estava "preparado para priorizar" a produção de material que poderia fornecer à comissão uma visão mais aprofundada sobre certos incidentes quando o conselheiro especial encontrou "evidências substanciais" de obstrução de justiça (por parte do presidente). 

Esses incidentes incluem a tentativa de Trump de demitir Mueller, o promotor especial; seu pedido para que Donald F. McGahn II, um ex-conselheiro da Casa Branca, de fazer uma "gravação fraudulenta negando o incidente"; e os esforços de Trump de fazer com que o ex-secretário de Justiça Jeff Sessions reconsidere sua recusa em reduzir o alcance do inquérito do investigador especial. 

Após várias semanas de objeções, o Departamento de Justiça disse ter achado a proposta razoável e poderia trabalhar com a comissão para compartilhar o material em questão, mas apenas se a Câmara se comprometesse em retirar a acusação de desacato ao Congresso contra o atual secretário de Justiça William P. Barr por não ter cumprido intimações anteriores. 

Democratas estavam prontos para fazer isso. A Câmara planejava votar na terça-feira uma autorização à comissão para recorrer a uma corte federal contra Barr para garantir a aplicação total de sua intimação. Mas em um sinal de nova cooperação, a Câmara não votará formalmente a acusação contra ele e, segundo Nadler, os democratas não devem apresentar uma ação judicial por enquanto. / NYT 

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