Doug Mills/The New York Times
Doug Mills/The New York Times

EUA indiciam 12 agentes russos por hackear democratas em eleição de 2016

Indiciamento é mais um passo da investigação do conselheiro especial Robert Mueller sobre a ingerência russa nas eleições americanas

O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 13h32
Atualizado 13 Julho 2018 | 23h37

WASHINGTON - O procurador especial Robert Mueller, que investiga o envolvimento da Rússia nas eleições americanas de 2016, indiciou 12 espiões russos nesta sexta-feira, 13, acusados de hackear o sistema da campanha de Hillary Clinton e sabotar as eleições nos EUA. É a primeira vez que a investigação de Mueller envolve funcionários do governo russo, em uma medida tomada a 3 dias do encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, segunda-feira, na Finlândia.

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No indiciamento, Mueller alega que foram os agentes do Departamento Central de Inteligência da Rússia, a GRU, que “hackearam, tiveram acesso e divulgaram o grande número de e-mails e documentos do Comitê Nacional Democrata (DNC), do Comitê Democrata de Campanha do Congresso (DCCC) e de várias campanhas de Hillary Clinton, funcionários, e também do presidente da campanha, John Podesta”.

Os e-mails e documentos foram publicados durante a campanha de 2016 por três sites. Dois deles, o Guccifer 2.0, o DCLeaks, “foram criados e controlados por esses oficiais da agência de inteligência da Rússia”, diz Mueller. O terceiro site, o WikiLeaks, recebeu os e-mails roubados do Comitê Democrata dos espiões. Mueller não acusa o WikiLeaks de nada.

O indiciamento de Mueller nomeia os 12 oficiais do GRU. O principal deles é Viktor Borisovich Netyksho, oficial graduado que estaria no comando da unidade cuja responsabilidade exclusiva era hackear computadores. Outros funcionários do GRU tinham vários outros papéis no roubo de documentos online e para encobrir os rastros dos papéis antes de as informações serem vazadas. 

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A conclusão de Mueller é a de que os espiões agiram de maneira intencional e coordenaram a divulgação de informações prejudiciais para influenciar o resultado da eleição nos Estados Unidos. Rosenstein disse aos repórteres que não está claro se os esforços dos espiões mudaram o resultado da eleição.

A acusação apresenta evidências técnicas sobre como os indivíduos hackearam documentos, incluindo comunicações eletrônicas e transferências de informações entre as várias figuras envolvidas. Não há nenhuma alegação de envolvimento americano ou da campanha de Trump.

Até agora, 32 pessoas e 3 empresas foram indiciadas ou se declararam culpadas na investigação – entre os russos deste grupo, havia empresários próximos a Putin. Três integrantes da campanha do republicano foram indiciados. O principal deles, Paul Manafort, foi preso nete mês e aguardará o julgamento na cadeia. O presidente americano também é investigado pela equipe de Mueller por possível obstrução de Justiça.

Nesta sexta-feira, 13, o advogado de Trump no caso, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani, comemorou o indiciamento. “As acusações anunciadas por Rod Rosenstein são boas notícias para todos os americanos”, disse. “Pegamos os russos. Nenhum americano está envolvido. Hora de Mueller acabar com essa caça às bruxas e dizer que o presidente Trump é completamente inocente.”

Giuliani vem travando uma guerra contra Mueller, alegando que a investigação está manchada pela parcialidade. A declaração de Giuliani ecoa uma estratégia dos aliados de Trump, de sustentar que a investigação não tem a ver com o presidente. Mas o subsecretário de Justiça e vice-procurador-geral, Rod Rosenstein, deixou claro que a investigação ainda não terminou.

Analistas políticos americanos afirmaram que Mueller pode ter escolhido o momento para divulgar o indiciamento, às vésperas do encontro com Putin, para forçar o presidente americano a confrontar seu colega russo. Até hoje, a Casa Branca se esquivou de condenar a Rússia por qualquer envolvimento no caso. 

“É possível que Mueller tenha anunciado essas acusações apenas porque ficaram prontas”, escreveu no site americano Vox o analista de risco político Alex Ward. “Mas é difícil acreditar que não tenha sido intencional.” 

De acordo com Rosenstein, o momento da divulgação das acusações “ocorreu em função da coleta dos fatos, da evidência e da lei, no exato momento em que era preciso apresentar a acusação”.

Jogo Duro

Donald Trump prometeu ser duro com o presidente russo, Vladimir Putin, no encontro oficial entre os dois na segunda-feira, 16, em Helsinque, Finlândia. “Vamos conversar com Putin sobre Ucrânia, Síria, Oriente Médio, proliferação nuclear”, afirmou em uma entrevista coletiva ao lado da primeira-ministra britânica, Theresa May, em Chequers, a 70 quilômetros de Londres, a casa de campo oficial dos chefes de governo britânicos. 

“Eu vou trazer a interferência nas eleições para a discussão. E, com certeza, vou perguntar com firmeza sobre o assunto. E espero que tenhamos um bom relacionamento com a Rússia”, disse Trump. “Não estou indo para este encontro com grandes expectativas, mas podemos sair com coisas muito surpreendentes.”

O presidente dos EUA estava terminando a entrevista quando Jim Acosta, da CNN, gritou uma pergunta. “O senhor vai pedir a Putin para ficar fora das eleições dos EUA?”, perguntou. Trump, que momentos antes se recusara a responder uma pergunta do jornalista da CNN, chamando a emissora de rede de “notícias falsas”, respondeu apenas “sim”. A confirmação marca a primeira vez que Trump admitiu publicamente e considerou discutir a interferência russa com o Kremlin./ NYT, W.POST e AFP

 

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