AFP PHOTO / SAUL LOEB
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EUA ameaçam punir jornalistas e fontes de vazamentos

Secretário de Justiça anuncia mudanças na política em relação à imprensa e alerta sobre medidas de retaliação

O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 12h36
Atualizado 04 Agosto 2017 | 21h07

WASHINGTON - O secretário de Justiça dos EUA, Jeff Sessions, para resolver uma questão que tem enfurecido o presidente Donald Trump, lançou nesta sexta-feira uma ofensiva contra o vazamento de informações e alertou sobre possíveis punições a repórteres e suas fontes no governo federal.

Em uma iniciativa que os críticos qualificam de um ataque à liberdade de imprensa, Sessions disse que o governo está revendo suas políticas para forçar os jornalistas a revelarem suas fontes. No entanto, é difícil nos EUA processar meios de comunicação por divulgarem informações vazadas.

"Sessions também disse aos funcionários de agências do governo que parem de divulgar informações confidenciais e disse que a questão é de segurança nacional. “Estamos nos posicionando para combater o aumento de vazamentos que prejudicam a capacidade do governo de proteger o país”, disse Sessions. “Essa cultura do vazamento precisa parar.”

O secretário de Justiça revelou nesta sexta-feira que ao menos quatro pessoas foram indiciadas desde janeiro em investigações relacionadas a vazamento de material confidencial da Casa Branca para a imprensa. Ainda de acordo com Sessions, o número de investigações sobre vazamentos triplicou na comparação com o ano passado. Sessions pediu a todas as agências do governo e ao Congresso que tomem medidas para que seus funcionários não deixem vazar à imprensa informações confidenciais.

Em 2005, a ex-jornalista do New York Times Judith Miller passou 3 meses na prisão por rejeitar identificar uma fonte do governo que lhe havia passado a identidade da agente da CIA Valerie Plame. As declarações de Sessions levam a crer que mais jornalistas terão de tomar a mesma decisão de Miller: revelar sua fonte ou ir para a prisão. O secretário de Justiça tem sido duramente criticado por Trump por não ter feito o suficiente para conter os vazamentos à imprensa.

O Comitê de Repórteres Liberdade à Imprensa manifestou sua oposição à revisão das políticas que poderá levar à intimação de jornalistas. Danielle Brian, diretora executiva de uma ONG que monitora as ações do governo, disse que as investigações podem afetar pessoas que vazaram informações com boas intenções. 

“Toda revelação fora dos canais autorizados é um crime”, disse o diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats. Ele prometeu que identificará os informantes, pedirá ao FBI que os investigue e apresentará acusações contra eles.

Sessions anunciou a revisão da política com relação à imprensa um dia depois de o jornal Washington Post publicar trechos confidenciais de conversas do presidente Donald Trump com o presidente do México, Enrique Peña Nieto, e o premiê australiano, Malcom Turnbull. 

Segundo o Post, em telefonema, Trump pressionou Peña Nieto para que ele deixasse de dizer publicamente que seu país não pagaria pelo muro que o republicano prometeu construir na fronteira entre os dois países. “Nós estamos ambos dizendo que não vamos pagar pelo muro”, disse Trump a Peña Nieto, em 27 de janeiro. 

“Não podemos mais dizer isso, porque se você for falar que o México não vai pagar pelo muro, então eu não quero mais me encontrar com vocês”, continuou o republicano, que durante sua campanha afirmou que o país vizinho pagaria pela obra.

Na semana passada, Trump trocou o diretor de Comunicações da Casa Branca na esperança de que a alteração pudesse conter os vazamentos à imprensa. Anthony Scaramucci responsabilizou publicamente o chefe de gabinete, Reince Priebus. Os dois acabaram deixando o governo – o primeiro, na segunda-feira, e o segundo, na sexta-feira. / REUTERS, AP e W.POST

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