Departamentos ameaçam rejeitar Constituição boliviana

Os habitantes de quatro departamentos da Bolívia anteciparam na sexta-feira sua rejeição à nova constituição do país, se ela ignorar o pedido de um regime autônomo de administração, negado pelo presidente Evo Morales.A decisão foi aprovada em assembléias nos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, com a participação de 1 milhão de cidadãos, segundo os organizadores.A maior concentração foi na cidade de Santa Cruz. Em torno do monumento ao Cristo Redentor, os habitantes ratificaram a autonomia aprovada no referendo de julho e delegaram à recém-fundada Junta Democrática da Bolívia a tarefa de consolidar o processo de autonomia.O modelo reivindicado foi definido pelo governador de Santa Cruz, Rubén Costas, o principal orador da assembléia. Entre outras coisas, inclui a preservação da integridade territorial, o respeito ao Estado de direito e compartilha poderes entre a Prefeitura e o governo central nas áreas de propriedade, uso e redistribuição daTerra."A Bolívia é indivisível. Nossa proposta é transparente e lúcida para o momento atual do país, em que os sistemas centralistas não funcionaram", argumentou Costas em resposta às acusações do presidente de que a verdadeira intenção dos autonomistas é provocar uma divisão territorial.O governador denunciou os incidentes violentos desta sexta-feira, em que partidários do governo de Morales foram ao local da assembléia e 50 pessoas ficaram feridas no confronto."Nem as pedras, nem a violência, nem a desinformação foramsuficientes para deter o entusiasmo de nosso povo", destacou, antes de acusar o Executivo de praticar "uma demagogia populista e perversa".O líder do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Germán Antelo, criticou o atual governo. "Pagamos impostos e só recebemos migalhas", reclamou. Ele aproveitou para acusar o governo de "revanchismo cultural", de ameaçar a imprensa e as instituições, e chamou o presidente de "tira-terras", por aprovar uma nova lei de reforma agrária.Outros oradores criticaram Morales por sua amizade com ospresidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, Fidel Castro.Na capital de Tarija, o governador Mario Cossío anunciou que os habitantes do departamento decidiram "começar a construir por conta própria respostas a seus problemas, mostrando capacidade de se autogovernar, sem dividir a pátria nem fomentar ódios".Em Trinidad, no departamento de Beni, o governador Ernesto Suárez enfatizou que a região acredita que chegou a "hora de tomar decisões com segurança, coragem e firmeza". Em Cobija, a assembléia começou à noite, com a presença dehabitantes que chegaram de várias comunidades rurais.

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