Dependente dos EUA, país teme bloqueio

Tegucigalpa tem economia frágil; isolamento internacional minaria apoio interno a golpistas

Gustavo Chacra, TEGUCIGALPA, O Estadao de S.Paulo

03 de julho de 2009 | 00h00

Honduras, um dos países mais pobres do continente, terá dificuldades para sobreviver às sanções americanas e da Organização dos Estados Americanos (OEA). A economia do país depende completamente dos EUA e da ajuda de organismos internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial, que já suspenderam o financiamento de alguns projetos em território hondurenho.Será difícil para o governo de facto conseguir se manter no poder sem esse apoio financeiro, ainda mais com uma massa de desempregados que chega a 27,8%. Mais da metade da população vive abaixo da linha de pobreza e dois terços dos hondurenhos vivem na extrema pobreza, segundo o Banco Mundial. Se nas grandes cidades a situação já é complicada, é ainda pior no interior do país, em áreas como o Departamento de Olancho, um dos mais pobres de Honduras, onde, nos últimos dias, ocorreram choques com o Exército.A economia local é baseada nas exportações de café, banana e frutos do mar. Os EUA são compram 67,2% do que Honduras exporta, mas podem facilmente substituir o país por outro mercado fornecedor. Já Honduras não tem como substituir seu principal cliente, uma vez que seu segundo maior comprador, El Salvador, adquire apenas 4,9% de suas exportações. De acordo com um relatório do Banco Mundial, o total das trocas comerciais de Honduras (importações mais exportações) equivale a 129% do PIB, o que deixa o país extremamente vulnerável a choques externos.Para complicar, a Venezuela, aliada do presidente deposto Manuel Zelaya, fornecia a preços mais baixos petróleo para Honduras. E o presidente Hugo Chávez já anunciou que não manterá esse suprimento subsidiado para o governo de Roberto Micheletti.Os empresários e fazendeiros locais em geral apoiam a deposição de Manuel Zelaya. Um dos motivos é o decreto para aumentar o salário mínimo em mais de 60%, visto por eles como populista. Por outro lado, se a pressão internacional se mantiver, talvez esses empresários obtém por ceder e retirem o apoio a Micheletti.Nas favelas, o sentimento contra o governo autoproclamado pode se intensificar caso os EUA imponham barreiras ao comércio e os recursos do BID se tornem inacessíveis.As remessas dos imigrantes hondurenhos nos EUA, que representam um quarto do PIB do país e poderiam servir para amenizar as consequências de sanções, devem ser escassas neste ano por causa da crise financeira global. Segundo o Banco Mundial, Honduras precisa crescer uma média de 6% ao ano para conseguir reduzir seus níveis de pobreza.

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