Eric Lipton/NYT
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Depois da presidência, Trump Hotel em Washington anda às moscas

Movimento em duas noites da última semana estava extremamente baixo, mesmo depois que a cidade suspendeu a proibição de refeições em ambientes fechados; do outro lado da rua, churrascaria brasileira Fogo de Chão estava indo muito bem

Eric Lipton, The New York Times

30 de janeiro de 2021 | 03h00

WASHINGTON - O Congresso estava em sessão. A Casa Branca está fervilhando de atividades nos últimos dias.

Isso normalmente significaria uma temporada agitada para o Trump International Hotel, com 263 quartos, que fica a apenas alguns quarteirões de distância. Mas em duas noites desta semana, o famoso espaço que atraía tantos lobistas, funcionários da Casa Branca e apoiadores de Trump nos últimos quatro anos estava praticamente vazio. O número de garçons e funcionários do hotel superava o de clientes.

É claro que parte disso se deve à pandemia do novo coronavírus, que afetou hotéis e restaurantes em Washington e em todo o país. As normas atuais da cidade limitam as refeições em ambientes fechados a 25% da capacidade dos estabelecimentos.

Até a última sexta-feira, as refeições em ambientes fechados estavam proibidas. O saguão do hotel estava fechado, assim como seus dois restaurantes, embora o hotel permanecesse aberto para um número muito limitado de clientes fazendo check-in. O bar ainda estava fechado esta semana.

Na noite de terça-feira, em uma parte do saguão com dezenas de mesas atendidas pelo Benjamin Bar and Lounge, havia algo entre oito e onze clientes.

“É um momento difícil por conta da covid-19”, disse uma cliente que tomava um drinque no saguão do hotel e não quis se identificar. Ela disse que trabalhava no setor de energia em um escritório do outro lado da rua. 

O BLT Prime by David Burke - uma churrascaria no mezanino do saguão - tinha várias mesas preparadas para clientes na terça à noite. E o Sushi Nakazawa, um terceiro restaurante do hotel, estava programado para reabrir na noite de quarta-feira.

Mickael Damelincourt, o gerente do hotel, estava otimista enquanto circulava pelo saguão na terça-feira.

“Estamos indo muito bem, considerando as restrições atuais”, disse ele. “Estamos ansiosos para receber muitos viajantes de volta a D.C. nos próximos meses.”

Damelincourt cumprimentou pessoalmente o que parece ter sido o único hóspede que chegou para fazer o check-in em um intervalo de mais de duas horas na terça-feira à noite. Os elevadores do andar térreo do hotel viram pouco tráfego durante esse período.

Uma loja Brioni Bespoke, vendendo ternos feitos sob medida por milhares de dólares, também estava sem ninguém, exceto pelo vendedor, que se animou quando um repórter apareceu. Grandes carrinhos com suprimentos extras de Veuve Clicquot estavam ao lado do saguão, intocados.

Um relatório financeiro de 2020 divulgado pelo ex-presidente Donald Trump na semana passada mostrou uma queda de 63% na receita do hotel Trump em Washington, que ficou em torno de US$ 15,1 milhão. Em uma entrevista na semana passada, Eric Trump, filho do ex-presidente e vice-presidente executivo da Trump Organization, atribuiu a perda de receita à pandemia e às políticas da cidade, que forçaram o fechamento de bares e restaurantes.

Do outro lado da rua do hotel, a churrascaria brasileira Fogo de Chão estava indo muito bem.

“As pessoas estão doidas para comer um bife brasileiro”, disse Armando Tello, o gerente.

Os únicos aliados proeminentes de Trump à vista dentro do hotel em duas noites recentes estavam nas grandes televisões transmitindo Fox News e CNN para o saguão quase vazio.

“Notícia de última hora: Senadores se apresentam para o histórico segundo julgamento de impeachment de Trump”, dizia a legenda na tela da CNN na terça-feira.

Em 2019, a família de Trump tentou vender a concessão para o hotel. O prédio histórico - o segundo mais alto da cidade - é de propriedade do governo federal e ainda é conhecido como Old Post Office, da época em que funcionava como sede dos Correios. Um contrato define o aluguel do prédio em cerca de US$ 270 mil (aproximadamente R$1,4 milhão) por mês.

Mas surgiram algumas boas notícias para Trump na semana passada. A Suprema Corte rejeitou dois processos movidos contra ele no início de seu mandato como presidente, alegando que o republicano estava aceitando ilegalmente pagamentos de governos estrangeiros no hotel e em outros locais de sua propriedade, uma violação da cláusula de emolumentos da Constituição.

Com Trump agora fora do cargo, a Suprema Corte considerou que esses processos perderam a utilidade. /TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU E ROMINA CÁCIA

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