Depois de 3 meses, Irã liberta acadêmica americana sob fiança

Haleh Esfandiari e outro americano, ainda preso, foram acusados por Teerã de tramar ?revolução suave?

AP e Reuters, Teerã, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2022 | 00h00

O Irã libertou ontem a acadêmica americana de origem iraniana Haleh Esfandiari - detida desde maio sob a acusação de ameaçar a segurança nacional -, após o pagamento de uma fiança de US$ 320 mil, informou sua advogada, a Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi. A Casa Branca qualificou de "alentadora" a decisão de Teerã."Agradeço a todas as pessoas que se esforçaram para que eu voltasse para casa", disse Haleh a uma TV estatal iraniana ao deixar a prisão de Evin, em Teerã. Haleh, que trabalha no Woodrow Wilson International Center for Scholars, declarou que foi "muito bem tratada" no período em que esteve presa. Ela disse que tinha "um quarto grande, com uma janela" e podia sair para tomar ar quando quisesse. Haleh, de 68 anos, viajou para o Irã em dezembro para visitar a mãe doente. Mas as autoridades acusaram a acadêmica e outro americano, Kian Tajbakhsh, ainda preso, de estar envolvidos em um plano dos EUA para derrubar o regime da república islâmica, por meio de uma "revolução suave". Washington nega as acusações.No dia 12, a Justiça iraniana disse ter concluído as investigações sobre Haleh e Tajbakhsh, que trabalha como consultor para o Instituto Soros, mas não informou a que conclusão havia chegado.Em julho, a TV iraniana divulgou trechos de declarações de Haleh e Tajbakhsh que, segundo a chancelaria do Irã, eram "confissões" de um plano para derrubar os líderes religiosos. Os EUA denunciaram a transmissão como ilegítima e disseram que os americanos fizeram as declarações sob coação. Washington e Teerã não têm relações diplomáticas desde a Revolução Islâmica de 1979. QUESTÃO NUCLEARO Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciaram ontem, após dois dias de diálogo, que estabeleceram um calendário para esclarecer as questões pendentes sobre as ambições nucleares iranianas. Os EUA, que acusam o Irã de tentar obter armas atômicas, consideraram a medida positiva, mas insuficiente.

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