Mass Communication Specialist 3rd Class Jonathan Clay/U.S. Navy via AP
Mass Communication Specialist 3rd Class Jonathan Clay/U.S. Navy via AP

Depois de 5 meses à deriva, americanas e seus cachorros são resgatadas no Oceano Pacífico

Jennifer Appel e Tasha Fuiaba pretendiam viajar do Havaí ao Taiti, mas o motor da embarcação parou de funcionar durante uma tempestade; sem comunicação e dependendo do vento para navegar, elas foram localizadas 1.448 quilômetros a sudeste do Japão

O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2017 | 11h57
Atualizado 27 Outubro 2017 | 21h51

HONOLULU, EUA - Era para ser um mês de descanso em alto-mar. As americanas Jennifer Appel e Tasha Fuiaba, moradoras de Honolulu, no Havaí, passaram dois anos e meio planejando a viagem de veleiro de 3.200 km entre o Havaí e o Taiti. Em maio, as duas partiram com seus fiéis companheiros, os cachorros Zeus e Valentine. 

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A primavera paradisíaca virou um pesadelo em 30 de maio, quando o motor da embarcação sofreu uma pane em razão de uma tempestade. No começo, Jennifer e Tasha acreditaram que poderiam chegar ao seu destino apenas com a vela içada. Mas, depois de outro temporal, o mastro quebrou e elas ficaram à deriva. Pior: perderam contato via telefone depois que o celular delas caiu por acidente no mar. 

As americanas, no entanto, não se desesperaram e continuaram a enviar pedidos diários de resgate do meio do Oceano Pacífico. Não tiveram resposta por 98 dias. “É deprimente, te deixa sem esperanças, mas é a única coisa que você pode fazer. Então, você se agarra a essa esperança”, disse Jennifer.

Depois de quase cinco meses à deriva no Pacífico, a Marinha americana resgatou as duas mulheres e seus dois cachorros. O caso foi divulgado nesta sexta-feira, 27, pela Marinha americana e outros veículos de imprensa. O resgate do grupo foi feito na quarta-feira, depois que um barco de pesca de Taiwan detectou a pequena embarcação que estava 1.448 quilômetros a sudeste do Japão – muito fora da rota planejada –, e informou a Guarda Costeira americana em Guam. “Salvaram nossas vidas. O orgulho e o sorriso que mostramos quando vimos no horizonte (a embarcação da Marinha dos EUA) foram de alívio total”, disse Jennifer.

Medo. Entre os episódios mais assustadores narrados por elas está o ataque de um grupo de tubarões durante uma noite e a investida, na manhã seguinte, de um outro tubarão contra a embarcação. “Tivemos sorte de o casco do nosso barco ser forte o suficiente para resistir aos ataques.” Segundo Jennifer, nos últimos dias, o barco estava tão deteriorado que a impressão é que ele não aguentaria muito tempo. “Não sei se ele aguentaria mais 24 horas.”

Jennifer e Tasha disseram que a presença dos cachorros, Zeus e Valentine, ajudou a mater a esperança. Jennifer chamou os cães de “companheiros animais”. Ao ser questionada se as duas pensaram que não sobreviveriam, Jennifer disse que elas “não seriam humanas” se não tivessem esse medo. 

As mulheres resgatadas explicaram que conseguiram aguentar tanto tempo em alto-mar porque seguiram as orientações recebidas antes da partida no Havaí: levar purificadores de água e alimento suficiente para um ano – principalmente produtos desidratados, como aveia e massas.

A mãe de Jennifer disse à agência Associated Press que nunca perdeu as esperanças de encontrar sua filha. Joyce Appel, de 75 anos e moradora de Houston, no Texas, contou que recebeu uma ligação de sua filha na manhã de quinta-feira, dia 26, cinco meses depois do último contato. “Ela disse: ‘mamãe?’. E eu respondi: ‘sim, sou eu’. Foi verdadeiramente emocionante”, contou Joyce.

Depois de resgatadas, as mulheres receberam auxílio médico, comida e puderam descansar em um navio da Marinha. "A Marinha dos EUA está pronta para ajudar qualquer marinheiro à deriva de qualquer nacionalidade em qualquer tipo de situação", disse o Steven Wasson, comandante do USS Ashland, barco que socorreu as mulheres e seus cachorros. / AP

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