EFE/Facundo Arrizabalaga
EFE/Facundo Arrizabalaga

Depois de britânicos, partidos na UE também pedem referendo para sair do bloco

Grupos de extrema-direita reivindicam direito de realizar consultas populares pela Europa

Jamil Chade, correspondente, Genebra, O Estado de S. Paulo

24 Junho 2016 | 08h51

GENEBRA – A decisão do povo britânico de sair da União Europeia provoca um efeito dominó e, pela Europa, grupos de extrema-direita reivindicam a realização de referendos em seus países. Nos países fora do bloco, partidos contra qualquer aproximação à UE, também ganham força e comemoraram. 

Na Holanda, o líder do Partido pela Liberade,  Geert Wilders,  afirmou que o resultado britânico é "uma vitória de todos". "Queremos nosso país de volta, queremos nossa própria moeda, nossas próprias fronteiras e nossa própria política de imigração", declarou. 

"Os holandeses precisam ter a possibilidade também de votar se querem continuar na UE", insistiu. 

Uma reação similar foi adotada pelos italianos da Liga Norte, movimento de extrema-direita. Nas redes sociais, o líder do grupo, Mateo Salvini, agradeceu aos ingleses pelo resultado. "Obrigado, agora é nossa vez", disse. Ele ainda destacou a "coragem de cidadãos livres". "Coração, mentes e orgulho derrotaram as mentiras, ameaças e chantagens", disse. 

Na Suíça - país que não faz parte da UE -, o partido de direita, UDC, declarou na manhã desta sexta-feira, 24, que vai ordenar ao governo que "pare toda a negociação" com a UE. Maior partido do país alpino, o UDC comemorou o fato de que "a autodeterminação é um bem supremo de cada país". "Pedimos ao Conselho Federal para que pare imediatamente todas as negociações que tenham como objetivo aproximar mais a Suíça da UE". 

Na Alemanha, uma das principais figuras do partido anti-imigração, Beatrix von Storch, também comemorou. "Dia da Independência para o Reino Unido", disse. "A UE fracassou como uma união política", atacou, pedindo que a cúpula do bloco europeu reuncie. 

Temendo que a saída do Reino Unido inicie um processo de enfraquecimento do bloco e de movimentos por parte de outros países, a UE já se prepara para uma série de medidas e o anúncio de diversos pacotes. 

Marine Le Pen, líder da extrema-direita França, chegou a colocar a bandeira do Reino Unido em suas redes sociais e defendeu que os franceses também sejam convocados a um referendo para decidir se ficam ou se saem. "Vitória para a liberdade", disse. "Como eu venho dizendo há anos, temos de ter um referendo na França", completou.

O chanceler austríaco, Christian Kern, acredita que, apesar dos apelos, não haverá um "efeito dominó" pela Europa. "A UE vai perder seu peso no mundo em razão da decisão britânica. O impacto econômico será de longo prazo", admitiu. 

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