Depois de denúncias, presidente de Israel não entra no Parlamento

O presidente de Israel Moshe Katsav cancelou sua presença na sessão inaugural do Parlamento nesta segunda-feira. A decisão foi tomada depois de intensas pressões já que a polícia israelense recomendou que fossem apresentadas denúncias contra Katsav, acusado de violência sexual.Vários parlamentares, incluindo os membros do partido liberal Meretz, ameaçaram boicotar a cerimônia no caso Katsav estivesse presente.O irmão de Katsav, Lior Katsav, afirmou que o presidente decidiu ficar em casa para proteger a dignidade do Parlamento israelense. "Aparentemente alguns membros do Parlamento querem sobrevoar como abutres sobre cadáveres, criar provocações e denegrir a imagem do Parlamento e dos símbolos de poder israelenses", afirmou Lior Katsav à rádio do Exército. "O presidente não vai fazer parte deste espetáculo", disse.Na ausência de Katsav, a presidente do Parlamento, Dália Itzik, deve comandar a cerimônia. Assistir a abertura das sessões de inverno do Parlamento israelense é um dos deveres mais importantes do presidente de Israel. Durante a abertura, tradicionalmente o presidente entra na sessão ao coro de trompetes e os legisladores permanecem de pé até que o presidente sente na cadeira destinada ao chefe do Estado.No domingo, a polícia recomendou que Katsav seja acusado de violação e assédio sexual grave, depois de um mês de investigações com mulheres que trabalharam para o presidente israelense. Katsav negou todas as acusações.Meni Mazuz, fiscal general israelense, deverá tomar uma decisão final sobre o caso, o que deve demorar algumas semanas. Com isso, os pedidos de renúncia do presidente estão aumentando.O advogado de Katsav, Zion Amir, afirmou que o presidente não tem intenção de renunciar.Israel tem uma longa história de escândalos políticos, porém as denúncias contra Katsav são as mais graves contra um alto funcionário do governo. Um ex-presidente e vários primeiros-ministros foram suspeitos de crimes financeiros, e um ex-ministro da defesa foi condenado por assédio sexual.

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