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Depois de George Floyd, Biden pode escolher vice negra

Entre as favoritas ao cargo estão a senadora Kamala Harris, a deputada Val Demings e a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2020 | 18h16

WASHINGTON - Os protestos contra o racismo desencadeados pela morte de George Floyd e a brutalidade policial nos Estados Unidos podem inclinar o presidenciável democrata Joe Biden a optar por um companheira de chapa negra. 

Entre as favoritas estão a senadora Kamala Harris, a integrante da Câmara dos Deputados Val Demings, e a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms. 

Elas se destacaram não apenas por se expressarem com vigor após o assassinato de Floyd, em 25 de maio, por um policial em Minneapolis, mas também por suas próprias experiências como mulheres negras. Suas posições como potenciais candidatas à vice-presidência cresceram em sites de apostas on-line.

Com sede de justiça e mudanças entre os manifestantes, os eleitores afro-americanos "exigem um vice-presidente negro", disse Daniel Gillion, professor de ciência política da Universidade da Pensilvânia. 

Nomes favoritos há apenas três semanas caíram drasticamente: as senadoras e ex-candidatas à Casa Branca Elizabeth Warren e Amy Klobuchar, além da governadora do Michigan, Gretchen Whitmer; todas brancas. 

Biden, vice-presidente de Barack Obama (2009-2017), o primeiro presidente negro da história dos EUA, disse em março que gostaria de escolher uma mulher como companheira de chapa para enfrentar o presidente Donald Trump, que concorre à reeleição em 3 de novembro.

O veterano político de 77 anos também havia sinalizado que considerava candidatos afrodescendentes. 

Popular entre os eleitores negros, a quem deve grande parte de sua vitória nas primárias do Partido Democrata, Biden sabe que mobilizar essa comunidade é fundamental para chegar à Casa Branca. 

Na terça-feira, ele disse à CBS que as duas últimas semanas "aumentaram a necessidade e a urgência" de escolher alguém que esteja "totalmente em sintonia com ele". 

"Quero alguém forte e que esteja pronto para ser presidente desde o primeiro dia", acrescentou Biden, que, se vencer a eleição, será o presidente mais velho da história dos EUA. 

Nesta campanha já extraordinária - abalada pela pandemia de coronavírus, pela crise econômica e agora pela revolta pela morte de Floyd - não se pode descartar que escolha de Biden, prevista para o dia 1º de agosto, seja ainda influenciada por novos eventos inesperados.

Mas, neste momento, Biden "tem todos os motivos para escolher um dos candidatos negros", disse Kyle Kondik, cientista político da Universidade da Virgínia.

Kamala Harris

A ex-rival de Biden na disputa pela indicação democrata, Kamala Harris, 55 anos, despontou como favorita no início da campanha por sua sólida formação e experiência. 

Filha de imigrantes jamaicanos e indianos, foi a primeira mulher negra a ser eleita procuradora-geral da Califórnia e a segunda a chegar ao Senado. 

No entanto, Harris confrontou cruelmente Biden durante um dos debates entre presidenciáveis democratas, sobre suas antigas posições sobre segregação racial. 

Os dois, que já se conhecem há muitos anos, se reconciliaram publicamente mais tarde.

Val Demings

Val Demings, de 63 anos, representante da Flórida na Câmara dos Deputados desde 2017, se destacou durante o processo de impeachment contra Trump em janeiro.

Declarações contra o "racismo institucional" da ex-policial, que foi chefe da polícia de Orlando, a lançaram como uma possível candidata a vice-presidente. 

Se Biden "me chamar, eu direi que sim", respondeu na segunda-feira ao site Axios. 

"Sua experiência na polícia permite, ao mesmo tempo, apoiar a aplicação da lei e falar abertamente sobre as reivindicações dos manifestantes", disse Kondik.

Keisha Lance Bottoms

Apesar de sua falta de experiência a nível federal, a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, se uniu ao esquadrão principal de possíveis candidatos à vice-presidência depois de um surpreendente discurso improvisado no qual convidou os manifestantes a voltarem para casa no dia 29 de maio. 

Aos 50 anos, foi uma das primeiras prefeitas a apoiar Biden durante as primárias.

Se Biden "acha que eu posso ajudá-lo a vencer em novembro e que estou na melhor posição para fazê-lo, consideraria seriamente", disse a Axios. 

Stacey Abrams, 46 anos, ex-candidata ao governo da Geórgia que já havia sido mencionada como possível candidata a completar a chapa democrata, caiu nas previsões do site especializado PredictIt. Seu nome, porém, não é descartado assim como o da consultora de segurança nacional da gestão Obama, Susan Rice, de 55 anos. /AFP

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