Henry Nicholls/Reuters
Henry Nicholls/Reuters

Depois de perder maioria, Boris Johnson sofre derrota no Parlamento

Por 328 votos a 301, os deputados decidiram tomar o controle da agenda parlamentar sobre o Brexit; nova votação amanhã deve barrar saída sem acordo

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 18h43
Atualizado 04 de setembro de 2019 | 11h20

LONDRES - O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, perdeu nesta terça-feira, 3, a maioria no Parlamento em um momento crucial para definir o futuro do Brexit. Como consequência, sofreu uma derrota em plenário, quando os deputados retomaram o controle do processo de saída da União Europeia, o primeiro passo para impedir um Brexit sem acordo.

A coalizão governista, formada pelos conservadores e pelo partido unionista da Irlanda do Norte (DUP), tinha uma maioria de apenas uma cadeira na Casa – 322 deputados contra 321 das outras siglas somadas. A cadeira foi perdida enquanto o premiê discursava no Parlamento – o deputado Philip Lee deixou a bancada do Partido Conservador, cruzou o salão e se sentou ao lado dos liberais democratas. 

Em seguida, a oposição britânica e os rebeldes do Partido Conservador, de Johnson, causaram a ele um grande revés. Por 328 votos contra 301, os parlamentares decidiram retirar do governo o controle da agenda parlamentar para assim poder votar uma lei que o obrigue a pedir um adiamento do Brexit.

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A lei, a ser votada nesta quarta-feira, força o governo a solicitar uma extensão do Brexit para Bruxelas (prevista para 31 de outubro) caso não se formalize um novo acordo no dia 19 de outubro. Como reação, o premiê prometeu apresentar uma moção pedindo uma antecipação de eleições gerais. 

Fontes de Downing Street, gabinete oficial de Johnson, disseram à imprensa que o primeiro-ministro está disposto a tentar convocar eleições antecipadas para 14 de outubro. Mas, para isso, ele precisa do apoio de dois terços da Câmara dos Comuns – boa parte da oposição.

"Não quero novas eleições, mas se os deputados votarem amanhã (hoje) para forçar outro adiamento inútil do Brexit, então esse será o único modo de resolver isso", afirmou Johnson.

Para a votação de hoje, deputados conservadores rebeldes e da oposição solicitaram ao presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, que aceitasse a realização de um debate extraordinário e desse sinal verde à votação, um mecanismo incomum quando não é tratado de uma iniciativa do governo. 

Philip Lee, deputado desde 2010, anunciou em comunicado a mudança de partido por estar em desacordo com a postura do governo, que está ‘buscando de forma agressiva um Brexit danoso”, afirmou. 

O novo partido de Lee, por sua vez, comemorou o aumento da bancada. “Os liberais democratas têm o prazer de anunciar que o deputado Phillip Lee, de Bracknell, se juntou ao partido”, afirmou o partido em comunicado.

Apesar de não ter maioria, Johnson ainda é o primeiro-ministro. Ele só sairá do cargo caso o Parlamento aprove um voto de desconfiança contra ele. Quem tem poder para chamar essa votação é o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, mas não há garantia de que ele fará isso. 

Brexit sem acordo pode custar US$ 16 bilhões aos britânicos

Um Brexit sem acordo faria os britânicos perderem US$ 16 bilhões de exportações para a União Europeia, e vários outros bilhões para outros países – alertou a ONU hoje.

Em um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Cnuced), os economistas da ONU indicam que uma perda do acesso preferencial “ao mercado da UE depois de um Brexit sem acordo causaria aos britânicos prejuízos em exportações de, pelo menos, US$ 16 bilhões, o que representa 7% das exportações totais do Reino Unido para o bloco”.

Os economistas destacaram que é uma estimativa conservadora, já que os prejuízos devem ser muito mais significativos, devido à introdução de medidas não tarifárias, controles fronteiriços e interrupção das redes de produção existentes entre Reino Unido e UE.

Segundo o estudo, os exportadores mais afetados serão os da indústria automotiva, bem como os setores de produtos de origem animal e têxteis. / EFE, NYT e AFP 

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