AP Photo/Rick Bowmer
AP Photo/Rick Bowmer

Depois de massacre em Las Vegas, cresce demanda por acessório que potencializa armas semiautomáticas

Lojas relatam crescimento do interesse por bump stock; senadora apresenta lei para tornar dispositivo ilegal

O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2017 | 19h10

Por mais de um ano, a loja Georgia Gun, em Gainesville, Georgia, não recebeu nenhum pedido para bump-stock, o dispositivo que modifica o sistema de armas semiautomáticas e permite que centenas de tiros sejam disparados de minuto em minuto. No entanto, após o atentado em Las Vegas no domingo, a loja recebeu diversas ligações de clientes perguntando sobre o produto, sem se preocuparem que legisladores podem tornar o aparelho ilegal.

A dona do comércio, Kellie Weeks, disse que vários distribuidores estavam sem estoque quando ela tentou fazer pedidos. "Qualquer pessoa que queira comprá-lo provavelmente está preocupada de que ele possa ser banido", afirmou. Autoridades informaram que o atirador, Stephen Paddock, tinha 12 rifles com bump stock no arsenal de armas em seu quarto de hotel. Além disso, os áudios do ataque sugerem que ele tenha utilizado armas com capacidade de fogo rápido.

O crescente interesse pelo bump-stock ecoa o aumento na venda de armas que normalmente segue atentados a tiro em massa, porque quem tem armas de fogo fica preocupado com a criação de leis mais rígidas sobre a posse de armas. A senadora democrata Dianne Feinstein apresentou nesta quarta, 3, uma lei que tornaria ilegal o bump stock e também outros dispositivos que de forma "fácil e rápida modificam armas legais e as tornam metralhadoras". Diversos republicanos, que normalmente se opõem ao controle de armas, demonstraram abertura à proposta, como é o caso do vice-líder do partido John Cornyn, do Texas, que pediu uma audiência sobre acessório.

+Atirador modificou 12 armas para transformá-las em automáticas

Armas automáticas como metralhadoras, que disparam continuadamente apenas com um movimento, tem sido amplamente proibidas desde 1986. No entanto, rifles semi-automáticos, que disparam uma bala cada vez que se puxa o gatilho, são vendidas com facilidade. Quando aclopado a um rifle, o bump stock usa a energia de recuo da arma para que o gatilho seja levado ao dedo, o que permite que os disparos sejam feitos com maior rapidez do que se fossem feitos manualmente. Quanto maior for a força aplicada sobre o gatilho, mais rápidos serão os disparos. O produto ainda é legal porque, tecnicamente, exige que o gatilho seja pressionado uma vez para cada disparo.

Nesta quarta, comentários feitos na página do Facebook da Slide Fire, uma grande produtora de armas americana, se dividiam entre críticas que culpavam a empresa pelo massacre e clientes que diziam planejar comprar mais bump stocks. O dono da Slide Fire, Jeremiah Cottle, não respondeu às mensagens, mas chegou a dizer, em entrevista no ano passado, que o produto é voltado para pessoas que "amam o automático".

De acordo com revendedores, o dispositivo não é muito vendido, principalmente porque diminui a precisão e desperdiça muita munição. "Eles vendem um muito pouco", disse C.J. Calesa, funcionário de uma loja de armamentos no Alabama. "Costumamos vender mais ou menos uns dez por ano", revelou. Segundo Calesa, a loja começou a receber ligações procurando pelo produto já na terça-feira. "Não faço ideia do porquê, mas toda vez que uma situação infeliz como essa acontece e eles começam a falar sobre proibição, nós recebemos essas ligações."

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