(AP Photo)
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Depois dos EUA, Steve Bannon mira a Europa

O arquiteto da mensagem populista da campanha de Trump volta a cena com uma missão internacional: incendiar as eleições europeias

Jason Horowitz THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 05h00

MILÃO - Num hotel de Milão, sentado em frente à cópia de um quadro de um antigo mestre europeu, Steve Bannon resumiu como vão seus modestos esforços para estabelecer uma vasta rede de populistas europeus com o objetivo de demolir a ordem ideológica, econômica e política do continente. “Tento ser a infraestrutura do movimento populista global”, disse ele. 

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Apenas isso. Meses atrás, Bannon foi banido da Casa Branca e do site Breitbart News, o império noticioso da nova extrema direita que ele ajudou a transformar em força política. Agora, Bannon, o arquiteto da mensagem populista da campanha de Trump e ex-estrategista chefe do então candidato, volta com uma missão internacional. 

No sábado, ele foi a principal atração da conferência internacional do movimento de extrema direita francês Frente Nacional, em Lile, levado à tribuna pela própria líder da legenda, Marine Le Pen. Ele também poderia se reunir, nos próximos dias, com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, mas não confirmou o encontro, embora tenha chamado Orban de “herói” e o tenha descrito como “o cara mais significativo no cenário político atual”. 

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Em Zurique, ele disse que teve um encontro “fascinante” com líderes do partido de extrema direita alemão Alternativa para a Alemanha. O encontro incluiu Alice Weidel e Beatrix von Storch. Recentemente, as duas protestaram contra uma mensagem de ano-novo da polícia alemã divulgada em várias línguas, entre elas o árabe. “Será que a polícia quer contemporizar com as hordas bárbaras muçulmanas de estupradores?”, tuitaram elas. 

Mas foi na Itália, onde forças populistas esmagaram o establishment político do país ao obterem mais da metade dos votos que Bannon fez seu quartel-general. Numa longa entrevista, ele não quis dizer com quem havia se encontrado no país, limitando-se a informar que havia sido com um leque variado de políticos, investidores e pessoas influentes. 

Um porta-voz de Matteo Salvini, líder do partido anti-imigração Liga, disse que os dois não se encontraram, embora quisessem ter feito isso. Um porta-voz do Movimento 5 Estrelas, partido que conquistou um terço dos votos, não quis comentar se Bannon se reuniu com seus representantes. À parte um café ocasional no Campo de’ Fiori e posar para fotos na Piazza Navona, em Roma, as reuniões de Bannon foram em quartos de hotel. 

Bannon disse que está trabalhando nos EUA em um projeto para criar um centro de estudos para capitalizar ideias populistas econômicas e sociais. De acordo com ele, a iniciativa vai se espalhar pela Europa inteira com a proliferação de websites populistas nos moldes do Breitbart News, que atuarão sob sua orientação. Ele quer treinar “um exército” de divulgadores no uso da linguagem e das ferramentas da mídia social. 

“Os europeus veem o que o Breitbart faz e querem fazer o mesmo em suas próprias línguas”, afirmou, aludindo ainda no presente ao site do qual foi afastado recentemente. Bannon pode talvez ser desculpado pelo “cochilo linguístico”, uma vez que o website parece estar ainda sob seu controle, como mostra o entusiasmo na divulgação de uma das falas do ex-chefe na Europa: “Stephen K. Bannon tomou Zurique de assalto na terça-feira falando a uma multidão”, afirmou o Breitbart./ TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

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