Deposição de Kadafi é um objetivo, diz Obama

Em visita ao Chile, líder afirma que há várias ferramentas para derrubar ditador

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / SANTIAGO

O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu ser a deposição do líder líbio, Muamar Kadafi, um objetivo político de seu governo. Ao lado do presidente chileno, Sebastián Piñera, Obama insistiu no fato de a ação militar na Líbia estar escudada em "um dos mais poderosos consensos da comunidade internacional" e na avaliação de que Kadafi "não demonstra piedade" para com seu próprio povo.

O líder americano, entretanto, não mencionou as perdas civis provocadas pelos ataques da coalizão a esses alvos nos últimos três dias. "Agora, eu também declaro ser política dos EUA que Kadafi precisa deixar o governo", afirmou. "Nossa ação militar é em apoio a um mandato internacional do Conselho de Segurança (da ONU), que se concentra especialmente sobre a ameaça humana de Kadafi a seu povo. Além dos assassinatos de civis, ele ameaçou ainda mais. Ele afirmou muito especificamente que não teria nenhuma misericórdia para com as pessoas de Benghazi."

Segundo Obama, Kadafi perdeu ainda mais sua legitimidade e, para derrubá-lo, há uma ampla gama de ferramentas, além das operações militares. Insistiu não ser essa uma ação isolada dos EUA, mas uma missão internacional. "Não podemos ficar parados."

Obama confirmou a informação adiantada no domingo por seu conselheiro de Segurança Nacional, Thomas Donilon, sobre a retirada dos EUA da liderança da coalizão de países nos próximos dias. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), reiterou ele, passará a coordenar essa operação. Ele comentou já ter sido completada a primeira fase da criação da zona de exclusão aérea na Líbia, iniciada no sábado pelos EUA, França e Grã-Bretanha, que estaria em "funcionamento perfeito". O segundo passo contemplará "aspectos humanitários".

A transferência do comando dos EUA para a Otan indica a resistência do governo Obama em abrir um terceiro front em um país muçulmano, especialmente se as operações terrestres seguirem as aéreas. A Casa Branca tem sido criticada no Congresso por ainda manter essa intervenção militar na obscuridade.

Ben Rhodes, conselheiro-adjunto de Segurança Nacional, defendeu que o presidente dos EUA tem a atribuição de decidir sobre operações militares, sem anterior consulta ao Congresso, e manterá a Câmara e o Senado informados. A decisão de Obama sobre a intervenção militar dos EUA foi tomada no Palácio do Planalto, em Brasília, entre sua reunião com a presidente Dilma Rousseff e a declaração de ambos à imprensa.

"Nós antecipamos que essa transição (da liderança da coalizão) é uma questão de dias, não uma questão de semanas", afirmou Obama.

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