Deposição de Zelaya é ilegal, diz Obama

Líder americano afirma que presidente de Honduras deve retomar o poder e condena ?interferência externa? no país

Gustavo Chacra e Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

Numa dura reação contra o golpe militar desfechado no domingo em Honduras, o presidente americano, Barack Obama, qualificou ontem de "ilegal" a situação no país e exortou os hondurenhos à retomada da estabilidade e da democracia, com o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya.Em comunicado, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que o "golpe foi ilegal" e acredita que Zelaya continua sendo presidente de Honduras. Ele acrescentou que "está preocupado" com as notícias sobre a "detenção e expulsão" de Zelaya. "Peço a todos os atores sociais e políticos em Honduras que respeitem as normas democráticas. Qualquer tensão ou disputa deve ser resolvida pacificamente por meio de um diálogo livre de interferência externa", disse Obama. "Não queremos retornar ao passado obscuro. O presidente Zelaya foi eleito democraticamente e não havia terminado ainda seu mandato. Para nós, ele segue como presidente de Honduras."A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, afirmou, em entrevista coletiva, não ter dúvida de que a situação evoluiu para um golpe, apesar de o governo de facto recém-instalado insistir na legalidade da destituição de Zelaya."O presidente, como vocês sabem, foi expulso. Outra pessoa o está substituindo. Consideramos esta uma situação que requer atenção constante e estamos trabalhando com nossos parceiros e utilizando a OEA (Organização dos Estados Americanos) como nosso veículo multilateral", diz Hillary.Zelaya não era muito próximo dos EUA e havia se aproximado de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que lidera um grupo de países críticos dos EUA na América Latina.Washington age com cautela em Honduras para evitar que se repita o fiasco de anos atrás, quando o então governo de George W. Bush reconheceu um governo golpista que havia deposto Chávez. Dois dias depois, o venezuelano voltou ao poder e acusou a Casa Branca de estar por trás da tentativa de golpe. Diferentemente de Obama, Hillary evitou dizer se os EUA exigem o retorno de Zelaya ao poder em Tegucigalpa. John Negroponte, do Departamento de Estado e ex-embaixador americano em Honduras, disse que as palavras da secretária de Estado indicam que os EUA estariam relutantes em ver o retorno de Zelaya incondicionalmente ao poder.ACUSAÇÕESDiante de acusações de Chávez, o governo americano fez questão de divulgar entrevista ontem garantindo que o Exército dos EUA não teve nenhum envolvimento no golpe de Estado em Honduras. "As tropas americanas que têm base em Honduras não estão envolvidas no golpe militar", disse ontem o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman. As Forças Armadas de Honduras são historicamente próximas dos EUA, por isso o Pentágono divulgou comunicado com o título: "Tropas americanas em Honduras não estão envolvidas no golpe." Fontes da Casa Branca também disseram que o governo vinha conversando com líderes militares e civis de Honduras na semana passada, na tentativa de evitar o golpe. Mas que agora os militares não mais atendem às ligações das autoridades americanas. Os EUA haviam manifestado sua insatisfação com a tentativa de Zelaya de perpetuar-se no poder, seguindo o exemplo de Chávez, do boliviano Evo Morales e do equatoriano Rafael Correa. O presidente hondurenho insistia na realização de uma consulta popular - considerada ilegal pela Corte Suprema do país - para mudar a Constituição e abrir o caminho para que pudesse se reeleger (mais informações na página seguinte).Zelaya disse ontem que voltará quinta-feira a Honduras para terminar seu mandato, que vence em 27 de janeiro. Reunidos em Manágua, os países-membros do Grupo do Rio reiteraram ontem sua "enérgica condenação" ao golpe em Honduras.

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