Deputada argentina quer expropriar empresário americano

A deputada argentina Araceli Méndez de Ferreyra confirmou nesta terça-feira que apresentará um projeto de lei ao Congresso para desapropriar uma área rural de 300.000 hectares pertencente a um empresário americano, localizada na província de Corrientes.A congressista, do partido Frente para a Vitória, que integra a coalizão governista, disse que a propriedade foi adquirida pelo americano Douglas Tompkins na localidade de Yahaveré, sobre partes do denominado Aqüífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo.Tompkins também é dono de extensos campos no sul do Chile, onde vive atualmente. Segundo ele, as terras chilenas de sua propriedade constituem reservas naturais e não exploradas."Não concordamos que nossas terras fiquem totalmente nas mãos dos estrangeiros, somos contra a concentração (de terras). Acreditamos que esta água, o Aqüífero Guarani, é uma reserva essencial para a soberania do país", afirmou Ferreyra.Segundo a deputada, na próxima quinta-feira, ela e outros congressistas aliados ao presidente Néstor Kirchner apresentarão formalmente o projeto de desapropriação à Câmara dos Deputados.Ferreyra afirmou que se o projeto for aprovado, "será paga ao atual proprietário a indenização correspondente, como prevê a legislação argentina". Não houve confirmação imediata se o governo apóia ou não o projeto de expropriação.O caso da fazenda de Yahaveré ficou conhecido no último final de semana depois que o subsecretário governamental de Terras, Luis D´Elía, invadiu a área após ter rompido os cadeados do portão de acesso.D´Elía, que também é líder de uma organização de piqueteiros que apóia o governo, declarou que o empresário americano havia causado o isolamento de cerca de 150 famílias de indígenas da região, ao bloquear-lhes os caminhos que utilizavam ancestralmente e que passam pela propriedade."Não se pode cortar rotas. Fui lá para pôr um fim a esse delito", afirmou o subsecretário em declarações ao jornal La Nación, que o criticou em um editorial, considerando a invasão um "ato condenável de violência que não deveria ficar impune".

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