REUTERS/Loren Elliott
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Deputada democrata pede a Trump que perdoe Snowden e Assange

Deputada do Havaí, que disputou as primárias do partido este ano, pediu ao presidente que use o poder do perdão presidencial para garantir clemência aos dois, ambos acusados sob o Ato de Espionagem, de 1917

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2020 | 20h49

WASHINGTON  - A deputada democrata Tulsi Gabbard, que concorreu às primárias do partido na última eleição, pediu ao presidente Donald Trump que perdoe o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden e o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, antes de deixar o cargo, em 20 de janeiro.  

A deputada que representa o Havaí repostou um vídeo seu publicado em outubro no qual sugere que Trump deveria usar o poder do perdão presidencial para garantir clemência aos dois, ambos acusados sob a Lei de Espionagem, de 1917. 

Recentemente, o presidente concedeu o perdão presidencial a seu ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, o que aparentemente motivou a democrata a reforçar seu apelo. 

"Já que você está dando perdão às pessoas, por favor, considere perdoar aqueles que, com grande sacrifício pessoal, expuseram a fraude e a criminalidade daqueles que estão no estado profundo", tuitou Gabbard nesta quinta-feira, marcando Trump na postagem. 

A deputada compartilhou também outro tuíte dela de mais de um mês atrás, no qual em um vídeo ela fala sobre Assange e Snowden: "Bravos denunciantes que expõem mentiras e ações ilegais em nosso governo devem ser protegidos".

"Junte-se a mim e implore ao Congresso: Aprove minha legislação bipartidária pedindo que as acusações contra @snowden e Assange sejam retiradas e reformemos a Lei de Espionagem."

De acordo com o site da revista Newsweek, essa legislação bipartidária foi co-patrocinada pelo deputado republicano Matt Gaetz, um forte defensor do presidente Trump que recentemente sugeriu que ele deveria perdoar a si mesmo antes de deixar o cargo.

Snowden foi responsável por vazar informações altamente confidenciais sobre o programa de vigilância em massa da NSA quando era funcionário terceirizado da CIA (Agência de Inteligência Americana). Ele recebeu asilo na Rússia em 2013 e vive lá desde então. 

O WikiLeaks de Assange divulgou documentos hackeados do Comitê Nacional Democrata em 2016 e a investigação do procurador especial Robert Mueller posteriormente acusou 12 oficiais da inteligência russa de hackear e trabalhar com o WikiLeaks. Assange negou que a Rússia seja a fonte dos documentos.

Atualmente, Assange está em uma prisão no Reino Unido e enfrenta um pedido de extradição para os EUA por acusações relacionadas a vazamentos feitos pela ex-soldado Chelsea Manning

Ele se refugiou na Embaixada do Equador em Londres em 2012, quando a Suécia buscava sua extradição sob a acusação de agressão sexual. O governo equatoriano revogou o asilo concedido a ele em 2019. 

Em setembro, a advogada de Assange Jennifer Robinson afirmou em um tribunal de Londres que presenciou uma oferta feita ao seu cliente pelo deputado republicano Dana Rohrabacher, aliado de Trump. Em troca de informações que beneficiariam politicamente o presidente, Assange poderia ficar livre de ações judiciais nos EUA. 

Blitz de perdões

Quando Trump perdoou Flynn na quarta-feira, ele fez mais do que limpar o registro de seu ex-conselheiro. Ele também alimentou as esperanças de uma ampla gama de requerentes de clemência de que ele poderia conceder uma onda de perdões e comutações antes de deixar o cargo.

Advogados e conselheiros da Casa Branca preveem que Trump usará sua autoridade em outros casos que vão além da investigação do promotor especial Robert Muller, sobre a Rússia, e o longo elenco de assessores e associados que tiveram problemas legais desde que ele chegou à presidência. 

 

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