Deputada deve chegar hoje ao Brasil para falar a senadores

Comissão de Relações Exteriores marcou reunião com María Corina, que chegaria esta madrugada ao País

Denise Chrispim Marin, Enviada especial - O Estado de S.Paulo/AFP

02 de abril de 2014 | 02h01

CARACAS - A opositora venezuelana María Corina Machado tem marcada hoje à tarde uma participação na audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado brasileiro, em Brasília. A reunião tratará do "agravamento da crise econômica, social e política" na Venezuela, segundo o Senado.

"A decisão de convidar a deputada foi tomada na última semana pelos senadores da comissão após acalorado debate sobre o formato e os participantes da audiência, num momento em que a Venezuela experimenta um período de grande polarização política", afirma uma reportagem publicada no site da Casa.

De acordo com o Senado, "como (María) Corina já tinha viagem marcada para o Brasil, ela confirmou participação na audiência".

A iniciativa de convidar a opositora venezuelana, ainda segundo a Casa, foi tomada pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que preside a CRE. "Não podemos fazer de conta que nada está acontecendo na Venezuela", disse o legislador, segundo a imprensa oficial do Senado.

O compromisso em Brasília foi considerado pela assessoria de María Corina como um escudo para evitar sua prisão ontem. Ainda hoje, a venezuelana será recebida por integrantes da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. O pré-candidato do PSDB à eleição presidencial, Aécio Neves, solicitou também um encontro com ela, assim como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em São Paulo, entre amanhã e sexta-feira, a venezuelana deverá ser recebida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e por integrantes da comunidade venezuelana no Brasil. Segundo María Tereza Belandria, assessora internacional do partido de María Corina, o Vente Venezuela, a oposição ainda aposta em um diálogo com o governo acompanhado pela União das Nações Sul-Americanas, embora considere mais efetiva a hipótese de mediação do Vaticano, que não tem "interesses político nem econômico e comercial" na Venezuela.

Apuração. A Anistia Internacional pediu ontem que a Venezuela investigue imparcialmente as denúncias de violações aos direitos humanos registradas durante a atual onda de manifestações antigoverno. Em um comunicado, a entidade relata uso de excesso de força por parte das autoridades de segurança, tortura, maus-tratos e cerceamento de defesa de detidos nos protestos.

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