Ritzau Scanpix Denmark / Philip Davali / Reuters
Ritzau Scanpix Denmark / Philip Davali / Reuters

Deputada da Dinamarca leva filha de 5 meses ao Parlamento e colegas vetam presença da criança

Mette Abildgaard voltou mais cedo da licença em razão de uma votação inesperada na Câmara, mas foi alertada por outra parlamentar de que seu bebê não poderia ficar na Casa

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2019 | 07h05

COPENHAGUE - Depois de um século de avanços para as mulheres na Dinamarca, elas encontraram uma barreira nesta semana quando uma parlamentar foi alertada por outra de que seu bebê não poderia ficar na Câmara dos Deputados.

A medida desencadeou um debate no país sobre igualdade de gênero e a dificuldade que os pais encontram ao tentar conciliar a vida familiar e profissional em um país que conta com algumas das mais generosas licenças parentais.

A parlamentar Mette Abildgaard, de 30 anos, contou o caso em sua conta no Facebook e ressaltou que Pia Kjaersgaard, de 72 anos - primeira mulher a liderar o Parlamento dinamarquês - disse a ela na terça-feira 19 que a presença de sua filha era indesejada na Casa. A criança foi, então, expulsa do local.

A medida uniu diversos deputados de diferentes visões políticas contra o que eles veem como uma postura ultrapassada e injustificada. “Ela não incomoda ninguém, desde que não esteja gritando ou chorando”, afirmou Pernille Skipper, da Aliança Vermelha-Verde. Outros qualificaram a expulsão como incompreensível e exigiram um pedido de desculpas de Pia.

Os dinamarqueses estão acostumados com flexibilidade no equilíbrio entre trabalho e família, e têm direito a um ano de licença remunerada, folgas remuneradas para os pais quando seus filhos estão doentes e creches subsidiadas.

Mette explicou em sua publicação que ela normalmente não leva a filha ao Parlamento, mas escolheu voltar mais cedo da licença para “servir à democracia”. Uma votação inesperada exigia a participação dela, e o marido não conseguiu chegar à Câmara a tempo de ficar com a filha de cinco meses de idade, Esther Marie.

A menina havia ficado em silêncio e “de bom humor” com uma chupeta no Parlamento, disse Mette, acrescentando que tinha combinado com sua assessora que ela levaria a criança se a bebê começasse a fazer barulho. “Obviamente não queríamos prejudicar a sessão”, disse ela.

Legislação

Não há legislação sobre o acesso de bebês à Câmara, mas as regras do local determinam que é dever do líder do Parlamento manter a ordem e fornecer um espaço para “discussões dignas”.

Ainda na terça, Pia defendeu sua decisão no Twitter, ressaltando que ela havia pedido “calmamente” à assessora que informasse Mette que “não é bom” levar bebês à Câmara, e o caso teria sido menor do que o veiculado.

A decisão de Pia foi apoiada por alguns parlamentares. Para Marlene Harpsoe, do Partido Popular da Dinamarca, a medida foi “absolutamente justa” e é “um pouco estranho” levar uma criança ao Parlamento.

Apesar da polêmica, a filha de Mette não foi a primeira criança a entrar na Câmara. Em 2016, Laura Lindahl, da Aliança Liberal, levou a filha para uma reunião de deputados. Quando a bebê começou a chorar, as duas foram embora. Na ocasião, o líder da Casa não interveio.

Pelo mundo todo, mulheres que atuam na política têm ganhado destaque por levar seus filhos ao trabalho. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, foi a primeira a levar a filha recém-nascida à Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2018. / NYT

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