Deputada liga governo à morte de promotor

A deputada Elisa Carrió, uma das principais críticas do governo de Cristina Kirchner, afirmou ontem em depoimento que o condomínio em que o promotor Alberto Nisman foi encontrado morto em 18 de janeiro com um tiro na cabeça estava propositalmente desprotegido. A parlamentar vinculou a Polícia Federal, uma empresa de segurança e o chefe de gabinete, Aníbal Fernández, à morte que classificou de "terceiro atentado" na Argentina.

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2015 | 02h02

Carrió referia-se aos ataques à embaixada de Israel, que deixou 29 mortos em 1992, e ao atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), que matou 85 em 1994. Nisman comandava uma equipe que havia dez anos investigava, com auxílio do serviço secreto argentino, esse último caso.

Quatro dias antes de seu corpo ser achado com um tiro na cabeça no banheiro de seu apartamento, em Buenos Aires, o promotor havia denunciado a presidente e outros altos funcionários por acobertar os iranianos acusados de atacar a Amia.

Em 2013, Cristina impulsionou um acordo com o Irã para que os acusados fossem ouvidos em Teerã. Nisman dizia ter provas de que esse pacto tinha apenas interesses comerciais. Sua denúncia foi rejeitada duas vezes na Justiça e tem possibilidade remota de ir adiante.

Aliada do conservador Mauricio Macri na eleição presidencial de outubro, a deputada da Coalizão Cívica afirmou que Nisman foi morto porque tinha razão em sua denúncia. No terceiro dos cinco textos que apresentou à promotora Viviana Fein, encarregada da investigação, Carrió descreveu "uma zona liberada pela Polícia Federal" a serviço de Aníbal Fernández e denunciou cumplicidade da empresa de segurança do condomínio Le Parc, que acusou de ser um grupo de fachada a serviço da Secretaria de Inteligência (Side) argentina.

Como o conteúdo do depoimento de Carrió - aceito pela investigadora porque a deputada alegou ter evidências importantes para solucionar o caso - não foi revelado em sua íntegra, nenhum dos grupos ou indivíduos mencionados se defendeu das acusações ontem.

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