Deputada palestina pede ação da UE no Oriente Médio

Fazendo uma advertência sobre a instabilidade e a raiva no Oriente Médio, a deputada palestina Hanan Asheawi conclamou, nesta terça-feira, a União Européia a desempenhar um maior papel na região e criticou os Estados Unidos por tentarem impor as prioridades israelenses na área. "Os interesses norte-americanos e a posição dos EUA na região foram afetados pelo cego apoio dado por Washington às violações israelenses. Portanto, os EUA não podem esperar reconquistar qualquer tipo de confiança e desempenhar qualquer tipo sério de papel na região, a não ser que refaçam uma análise de sua política externa", disse Ashrawi. Ela esteve reunida com vários ministros, incluindo o ministro francês das Relações Exteriores, Hubert Vedrine, e seu colega suíço, Joseph Deiss, enquanto estava em Genebra para falar perante a Comissão de Direitos Humanos da ONU. Ashrawi disse aos jornalistas que havia falado a Vedrine sobre a necessidade de a União Européia agir como "uma força corretiva dos norte-americanos". A Europa deveria anular os acordos comerciais e manter Israel como responsável pelos prejuízos causados - estimados em centenas de milhões de euros - infligidos às instalações palestinas construídas com recursos da União Européia, afirmou ela. O ministro suíço Deiss disse que seu país estava considerando se deve pedir reparações a Israel.Mais cedo, Ashrawi havia recebido calorosos aplausos da Comissão de Direitos Humanos depois de um apaixonado discurso sobre "a dor de uma nação em cativeiro". "Debilitado sob a última ocupação militar da história, o povo palestino está sitiado, bombardeado, assassinado e aterrorizado de todos os modos possíveis", disse ela."Nosso espaço humano foi invadido e negado, reduzido ao tamanho de uma bala de alta velocidade ou de um tanque, ou de um navio de guerra Apache, e à trajetória de um F16, que acerta dormitórios, escolas, ruas, jardins, e qualquer outro ambiente em que a carne humana busque refúgio.""Reduzidos a estatísticas abstratas, os palestinos têm sido sistematicamente desumanizados e suas vidas desvalorizadas", afirmou. "As mais de 2.300 vítimas assassinadas desde 28 de setembro de 2000 são indivíduos com identidades, queridos, com esperanças e sonhos."Força de pazEm relatório à comissão, o investigador da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos, John Dugard, disse que o nível de violência é tamanho que uma força de paz internacional deveria ser enviada para a região."O atual conflito já é internacional, no sentido que envolve um Estado e um Estado que está nascendo. O perigo é que ele se espalhe para outros países da região. Se for para evitar isto e controlar o nível de violência, parece que não há alternativa a uma força de paz internacional, estruturada e formada para fazer frente às circunstâncias especiais da região", declarou. Em seu relatório, Dugard descreveu em detalhes várias violações, incluindo a destruição de casas, por parte de Israel, as restrições à liberdade de movimento, a prisão de crianças que jogam pedras e a construção de assentamentos judaicos em terras palestinas. Dugard, um sul-africano, foi indicado em julho de 2001. Ele visitou Israel e os territórios palestinos em fevereiro. Israel afirma que ele não tem autoridade e se recusou a cooperar com ele.

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