Deputado acusa Uribe de ceder aos EUA

?Não é segredo interesse americano no conflito da Colômbia?, diz venezuelano

Lourival Sant?anna, Caracas, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente Álvaro Uribe decidiu interromper a mediação venezuelana para atender ao narcotráfico e aos EUA. Foi o que afirmou ontem o deputado governista Saúl Ortega, presidente da Comissão de Política Exterior da Assembléia Nacional venezuelana. "O presidente Uribe deve estar cedendo às pressões tanto nacionais quanto internacionais", interpretou Ortega, em entrevista à TV estatal. "Para ninguém é segredo o interesse do governo dos EUA no conflito colombiano, pelo qual mantêm uma presença abusiva, com intervenção, tanto com soldados, com tropas americanas, com sofisticados armamentos, assim como um financiamento de mais de US$ 7 bilhões, via Plano Colômbia e Plano Patriota, enviados pelo Departamento de Estado", contabilizou o deputado. Ele disse que esse dinheiro tem sido usado pelo governo colombiano "de maneira discricionária"."Também é conhecido que o narcotráfico financia as condições da guerra para poder cultivar com impunidade a coca na Colômbia", continuou Ortega. "E sabemos que o narcotráfico paga a quem controla militarmente as zonas onde eles cultivam a coca. Muita gente vive da guerra na Colômbia." Como exemplo do "apoio internacional jamais visto" à mediação de Chávez, o deputado citou uma moção do Parlamento do Mercosul, de respaldo à atuação do presidente venezuelano.Ao longo do dia, a TV estatal venezuelana levou ao ar uma série de reportagens e entrevistas, ao vivo e de arquivo, para demonstrar o "êxito" da mediação de Chávez, a esperança que havia despertado entre os parentes dos reféns e dos guerrilheiros presos, e a desilusão que a decisão de Uribe causara. "Estávamos muito esperançosos e iludidos", declarou Marlen Orejuela, presidente da Asfamipaz, associação que reúne os parentes de militares e policiais seqüestrados pelas Farc. "Não esperávamos esse desassossego de ontem (quarta-feira) à noite. O presidente Uribe fechou um caminho que ele mesmo havia aberto." Ela disse que a associação mandou uma carta a Uribe, com cópia para todas as embaixadas em Bogotá, pedindo: "Por favor, reconsidere sua posição. Por um segundo, coloque-se no nosso lugar, e não nos dê as costas." A senadora colombiana Piedad Córdoba, que mediou o telefonema de Chávez ao general Mario Montoya, foi entrevistada pela Telesur, o braço sul-americano da TV estatal venezuelana, saindo de um hotel em Caracas rumo ao Palácio Miraflores, para uma reunião com o presidente sobre o tema. "Nunca me arrependerei de ter trabalhado com o presidente Chávez, e vou continuar trabalhando", prometeu a senadora.

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