Michael Kappeler/DPA via AP
Michael Kappeler/DPA via AP

Deputado de extrema direita da Alemanha é agredido por três pessoas em ataque

Frank Magnitz, do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), foi atacado na segunda-feira à tarde; polícia acredita se tratar de ato por motivos políticos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2019 | 14h11

BERLIM - O deputado alemão Frank Magnitz, de 66 anos, do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), foi agredido por três pessoas na segunda-feira 7 à tarde no centro de Bremen, informou a polícia nesta terça, 8.

"Levando-se em conta a função da vítima, pensamos que se trata de um ato por motivos políticos", acrescentou uma fonte da polícia.

O AfD divulgou uma foto do deputado no hospital com o rosto ensanguentado, inchado e com um profundo corte. Magnitz permanecerá internado a semana inteira.

Segundo o partido, Frank Magnitz foi atacado por três homens com os rostos cobertos. Eles o agrediram com porretes. "Deram golpes nele com um pau até deixá-lo inconsciente e depois continuaram a agredi-lo no chão", afirma o comunicado do AfD, acrescentando que um trabalhador da construção civil pôs fim à agressão.

Condenação unânime

A chanceler Angela Merkel e os principais partidos do país condenaram o episódio.

"Esta agressão brutal (...) tem de ser condenada firmemente. Esperamos que a polícia possa deter rapidamente os culpados", afirmou no Twitter o porta-voz da chanceler alemã e do governo, Steffen Seibert.

Um dos dirigentes nacionais do partido de extrema direita, Jörg Meuthen, acusou os agressores de terem-no "agredido quase até a morte" e disse estar "abalado" com o caso.

O partido condenou esta "violência covarde com a intenção de matar Frank Magnitz" e responsabilizou os "terroristas de extrema esquerda" pelo ataque, apresentando-se como vítima e acusando os partidos de esquerda de serem indiretamente responsáveis pela agressão. Segundo eles, não foram condenados de forma suficientemente clara os movimentos radicais e violentos de extrema esquerda.

A presidente do SPD, de centro-esquerda, Andrea Nahles, disse que "o AfD é um adversário político e se opõe à nossa sociedade tolerante e pacífica, mas quem combate o partido e seus representantes com a violência trai esses valores".

Os Verdes também se manifestaram nesse sentido. "Nada justifica a violência contra o AfD. Quem combate o ódio com o ódio sempre deixa que o ódio acabe ganhando", afirmou um de seus mais importantes membros, Cem Özdemir.

Tensões políticas

Em setembro de 2017, o AfD se tornou o primeiro partido da oposição na Câmara dos Deputados, contra o governo de Merkel, formado por conservadores e por socialdemocratas. Esse movimento anti-imigração sacudiu a vida política do país e, desde então, os debates parlamentares costumam se transformar em enfrentamentos. Estas tensões também se reproduzem nas ruas, onde vários confrontos são registrados entre os partidários de ambos os extremos.

Na última quinta-feira, um artefato explosivo danificou uma sede do AfD na região da Saxônia, um de seus bastiões políticos. A polícia suspeita que tenha se tratado de um atentado. Desde meados de dezembro, foram registrados pelo menos oito ataques contra escritórios do partido em todo país, segundo a emissora pública ARD.

Angela Merkel é alvo da maioria dos ataques da extrema direita. Seus representantes a acusam de ter aumentado a criminalidade no país, após deixar mais de um milhão de solicitantes de asilo entrarem no país em 2015 e em 2016.

O AfD também rompeu com o tabu do arrependimento alemão pelos crimes nazistas e, muitas vezes, relativiza os atos cometidos nessa época. / AFP

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