Deputado kirchnerista nega planos de intervir no Clarín

Rumores indicavam que o governo da presidente Cristina estaria se preparando para declarar a intervenção

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires,

15 de maio de 2013 | 13h07

BUENOS AIRES - O deputado kirchnerista Carlos Kunkel declarou nesta quarta-feira, 15, que o governo da presidente Cristina Kirchner não tem planos para intervir no Grupo Clarín. Intensos rumores nos últimos dias indicavam que a Casa Rosada estaria se preparando para declarar a intervenção na maior holding multimídia da Argentina por meio da Comissão Nacional de Valores (CNV).

Kunkel, amigo da presidente Cristina desde a época da faculdade de direito, nos anos 70, é um dos principais homens do governo na Câmara de Deputados. O parlamentar, que integra o setor mais radical do kirchnerismo, explicou que ele e outros deputados encaminharam um projeto para expropriar 24% das ações da empresa Papel Prensa, a única fábrica de papel de jornal do país. "Mas nunca pensamos em intervir no Clarín", ressaltou Kunkel, espécie de porta-voz informal do kirchnerismo para assuntos políticos.

O governo Kirchner poderia interferir na cúpula do "Clarín" graças a uma lei aprovada em dezembro que permite a um acionista minoritário, alegando má gestão da diretoria da empresa, solicitar à Comissão Nacional de Valores a intervenção da companhia. Informações extraoficiais sustentam que o governo já conta com a assinatura de um juiz federal autorizando a intervenção.

Para tentar evitar essa medida do governo Kirchner, na terça-feira à noite o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, anunciou um decreto que pretende "proteger a liberdade de expressão". Segundo Macri, qualquer processo jurídico relativo a meios de comunicação e jornalistas instalados na cidade terá que passar pela Justiça portenha.

Com esta medida o prefeito quer evitar a eventual intervenção do "Clarín" por intermédio da CNV. "Se o governo quiser intervir um meio de comunicação, o Tribunal Supremo de Justiça da cidade de Buenos Aires deverá decidir o que é de maior envergadura: a liberdade de expressão ou o mercado de capitais", disse Macri.

O decreto terá que ser aprovado pela assembleia legislativa da capital argentina para continuar com validade. Caso contrário, terá vigência por apenas 30 dias.

 

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