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Deputado opositor tenta provar que Macri mentiu em declaração sobre Panama Papers

Presidente argentino está sendo investigado por suposta omissão de bens em empresas em paraísos fiscais

O Estado de S. Paulo

18 Maio 2016 | 11h33

BUENOS AIRES - O deputado opositor argentino Darío Martínez apresentou na terça-feira à Justiça documentos que buscam provar que o presidente da Argentina, Mauricio Macri, mentiu em sua declaração sobre uma empresa envolvida na divulgação dos chamados Panama Papers - lista de personalidades com companhias abertas em paraísos fiscais -, segundo fontes judiciais.

"Apresentamos atas da empresa que o presidente disse que nunca havia tido transações. Mas sim, houve transações e negócios multimilionários para os quais precisou ter contas bancárias", declarou à imprensa Martínez, da Frente para a Vitória (peronista de centro-esquerda).

A empresa da denúncia é a Fleg Trading, sediada nas Bahamas por meio da firma panamenha de advogados Mossack Fonseca. Macri, líder de uma aliança de centro-direita, aparece no escândalo de vazamento de documentos confidenciais como diretor da companhia e da empresa Kagemusha.

Macri declarou publicamente que não tem "nada a esconder" e que se coloca "à disposição da Justiça". O presidente está sendo investigado em razão de uma suposta "omissão dolosa" de bens em empresas em paraísos fiscais.

O presidente argentino afirmou que a Fleg Trading jamais esteve ativa, que foi criada para operar na área de serviços financeiros no Brasil, mas o projeto acabou cancelado.

"Tinha que ter declarada a atividade. Há algo muito mais grave que a ocultação de informação. Há uma metodologia de criar sociedades para sonegar impostos e lavar dinheiro", disse Martínez.

O caso de Macri foi revelado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e o jonal alemão Süddeutsche Zeitung. O ICIJ investigou milhões de documentos que envolvem personalidades e governantes do mundo todo.

O juiz encarregado do caso é Sebastián Casanello, que em 10 de maio ordenou entidades financeiras do país a informarem sobre as contas bancárias de Macri, em razão de suspeitas no caso Panama Papers.

O magistrado enviou também precatórias ao Brasil, Uruguai, Grã-Bretanha, Irlanda e Panamá para que informem sobre empresas da família Macri, dona de um poderoso império de negócios. /AFP

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