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Deputado paraguaio quer base militar dos Estados Unidos no país

Presidente da comissão de Defesa da Câmara de Deputados revelou encontro com generais dos EUA

Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires ,

06 de julho de 2012 | 15h07

BUENOS AIRES - O presidente da comissão da Defesa da Câmara de Deputados do Paraguai, José López Chávez, anunciou nesta sexta-feira, 6, que manteve conversas com generais dos Estados Unidos para negociar a instalação de uma base militar no Chaco, região ocidental do Paraguai. 

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A visita dos representantes do Pentágono ocorreu dias depois da destituição de Fernando Lugo da presidência do país. O deputado López Chávez não está vinculado ao novo presidente, Federico Franco, mas é aliado do general Lino Oviedo, líder da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace), partido de centro-direita, de oposição. Os militares americanos foram a Assunção conversar sobre programas de cooperação bilateral.

 

Segundo o deputado, a ideia é instalar a base no vilarejo de Mariscal Estigarribia, perto da fronteira com a Bolívia. López Chávez justificou o pedido alegando que a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e que o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país.

 

A Bolívia e o Paraguai entraram em guerra nos anos 1930 por causa da disputa por essa região. Os paraguaios venceram o conflito. Em Mariscal Estigarrabia está a maior pista aérea do país, construída nos anos 1980 pelo então ditador paraguaio, o general Alfredo Stroessner.

 

Ideia antiga

 

O plano do presidente da Comissão de Defesa é uma tentativa de ressuscitar a velha ideia de ceder uma base aos marines dos EUA na região. Em 2005, houve um intenso debate em Assunção sobre a conveniência de permitir uma base ali. Na época, o presidente era Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado. Na ocasião, uma resolução autorizou a presença e livre trânsito de 500 marines americanos.

 

Perante a repercussão negativa na América do Sul, Nicanor, na época, alegou que os marines realizariam somente tarefas "humanitárias", principalmente na área médica. Apesar das boas relações entre Washington e Assunção durante o governo de seu sucessor, Fernando Lugo, os planos de uma base foram arquivados.

 

Segundo López Chávez, em 15 dias poderiam aparecer novidades sobre a criação de uma eventual base no Chaco Paraguaio. O anúncio sobre a visita de generais do Pentágono ocorre em plena crise do Paraguai com os países do Mercosul. Na sexta-feira passada, o país foi suspenso do bloco até a realização das eleições presidenciais em abril. Segundo o Mercosul, o Paraguai, com a destituição de Lugo, está em meio a uma "interrupção da ordem democrática".

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