Deputado pede consulado brasileiro na Cisjordânia e em Gaza

O deputado federal Milton Temer (PT-RJ) vai denunciar, no Congresso o que qualifica de subdimensionamento da situação dos palestinos pelos serviços diplomáticos brasileiros. "Deveríamos ter um consulado em Gaza ou na Cisjordânia para oferecer assistência jurídica e documentação aos brasileiros de origem palestina que mudam-se para o Oriente Médio", disse nesta quinta-feira, em Jerusalém.Ele está no Oriente Médio participando de uma missão parlamentar brasileira - com os deputados federais Antônio Carlos Panunzio (PSDB/SP) e Hélio Costa (PMDB/MG) - que tem mantido contato com judeus e palestinos para pedir paz à região.Segundo Temer, os palestinos brasileiros ficam desprotegidos de documentação para circular por Israel após o vencimento dos passaportes. "Os palestinos chilenos têm essa proteção", disse.Um exemplo dos problemas burocráticos é o caso do gaúcho Gande Judh, descendente de palestinos, que está tentando sair de Israel para voltar ao Brasil e não consegue por não estar com os documentos em dia.O deputado estadual Ronaldo Zulke (PT-RS), que também está em Israel, em delegação enviada pelo Comitê Internacional do Fórum Social Mundial (FSM), pediu ajuda para resolver a situação de Judh ao embaixador Roberto Coutinho.Um dos encontros que os deputados tiveram hoje foi com o ministro israelense de Relações Exteriores, Shimon Peres. "Ele deixou passar a imagem de alguém combalido, triste e sem energia", disse.O deputado petista ouviu de Peres o reconhecimento de que há divergências dentro do governo israelense quanto à ocupação militar dos territórios palestinos. "Mas ele defendeu a política de Ariel Sharon e disse que o responsável pela situação é Yasser Arafat, que não aceitou as ofertas que Israel fez em Camp David", relatou.Em outro contato, com Sari Nusseibeh, responsável pela política externa da Palestina, os deputados ouviram uma versão diferente, a de que as propostas do então primeiro-ministro israelense Ehud Barak em Camp David não contemplavam nem 70% do que necessitavam os palestinos. "Eles também se queixam de que enquanto Barak dizia que estava dando tudo aos palestinos, os assentamentos de colonos judeus não cessaram e Ariel Sharon foi à Esplanada das Mesquitas um lugar santo muçulmano (e judeu), em atitude provocativa", disse Temer.Alguns participantes da comitiva do Fórum Social conseguiram entrar em Ramallah durante as duas horas de suspensão do toque de recolher nesta quinta-feira, entre as 13h e as 15h locais.O jornalista José Arbex Júnior enviou um relato, divulgado pelo comitê brasileiro. Ele diz ter sido informado pelo médico Jihad Mashal, diretor da União dos Comitês de Socorro da Palestina, de que já foram mortas 75 pessoas em Nablus, 26 em Ramallah e mais de 200 em Jenin, durante a ofensiva israelense."A própria casa do médico foi ocupada por tropas durante quatro dias e 24 pessoas foram obrigadas a viver no porão. Eles ainda tiveram sorte, já que outras casas foram pilhadas e destruídas pelos soldados de Israel", disse o jornalista.Na praça Al-Manara, no centro de Ramallah, os enviados do Fórum presenciaram uma manifestação iniciada por cerca de 20 mulheres palestinas, em meio aos tanques israelenses. A idéia era sair em passeata até onde está o quartel-general de Yasser Arafat, mas a concentração de pessoas foi dispersada pelos soldados com bombas de gás. "Uma delas estourou bem perto dos meus pés. Fiquei momentaneamente atordoado, com os olhos cegos e ardendo", relatou Arbex. "Uma sala de café, situada no terceiro andar de um prédio, começou a pegar fogo, o que mostra que eles não dispararam apenas bombas de gás."Antes de o toque de recolher entrar em vigor novamente, a delegação ainda viu soldados postados no alto dos prédios jogando terra, supostamente tirada de vasos de flores, sobre os carros de palestinos. O jornalista constatou que Ramallah é uma cidade destruída, com lixo por todos os cantos, carros destroçados e postes de luz derrubados. "A desolação é geral e os palestinos sentem que a solidariedade internacional é a única coisa que pode ajudá-los", disse Arbex Júnior. Elder Ogliari

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