AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Deputado propõe novas notas de bolívar para 'realidade inflacionária' da Venezuela

José Guerra, economista e presidente da subcomissão de orçamento da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional, diz que notas de 500, 1.000, 2.000 e 5.000 bolívares seriam mais adequadas para o momento do país

O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2016 | 16h13

CARACAS - O presidente da subcomissão de orçamento da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional da Venezuela, José Guerra, cobrou do governo de Nicolás Maduro uma atualização da base monetária em circulação no país desde 2008 para "adequar a moeda à realidade inflacionária" que vive o país - cujas projeções do FMI indicam que pode fechar 2016 em 700%.

Em entrevista ao jornal local El Universal, Guerra afirmou que a atual base monetária, composta por notas de 2, 5, 10, 20, 50 e 100 bolívares deveria ser complementada com notas de 500, 1.000, 2.000 e 5.000 bolívares. Ele disse ainda ser provável a necessidade de adoção de notas até de maior valor, como 10.000 e 20.000 bolívares ainda no primeiro trimestre do próximo ano.

"(A nota de) 100 bolívares impressa em 2008 e colocada em circulação em janeiro daquele ano vale atualmente 1 bolívar", disse Guerra, que é economista, garantindo que a maior nota disponível hoje no país perdeu 99% de seu valor. De acordo com dados oficiais do Banco Central da Venezuela (BCV), em janeiro de 2008 apenas 3% das notas em circulação no país eram de 100 bolívares. Hoje, essa cifra subiu para 45%.

Sobre a possibilidade de a emissão de notas de maior valor afetar a inflação no país, Guerra afirmou que as notas apenas "refletiriam a inflação". "É como um termômetro, que não acaba e nem cura uma febre, mas apenas a mostra."

O economista também estimou que o Estado venezuelano gasta hoje entre 150 e 200 bolívares para emitir cada nota de 100 bolívares, tornando o processo deficitário. Guerra aponta que a emissão de notas de 5.000 bolívares não encareceria o processo "porque só seria necessário adicionar zeros". A proposta também reduziria o "bolo de notas" que os venezuelanos são obrigados a manusear para realizarem operações cotidianas.

Por fim, o deputado disse que em diversas ocasiões demonstrou que a falta de atualização da base monetária pelo BCV causou um dano ao patrimônio público por obrigar o Estado a gastar excessivamente na impressão de bilhetes de "não tem valor".

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