Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Deputado ultraliberal sorteia seu salário na Argentina

Eleito com campanha antipolítica, economista Javier Milei rifou cerca de mil dólares

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 21h59

BUENOS AIRES - O economista ultraliberal Javier Milei, que invadiu as últimas eleições legislativas na Argentina com uma campanha antipolítica, sorteou nesta quarta-feira, 12, seu primeiro salário como deputado entre cerca de um milhão de inscritos.

"Esse dinheiro é meu, posso gastá-lo como qualquer outro deputado, ou queimá-lo em uma praça, ou posso dar um jeito desse dinheiro, que foi roubado do povo, voltar para a cidade", disse Milei, de 51 anos.

Vinte e cinco dias após tomar posse em 10 de dezembro, o deputado abriu as inscrições para o sorteio de 200 mil pesos, valor equivalente a 20 dias de trabalho no mesmo mês.

O sorteio aconteceu sem a presença de Milei em um palco localizado na rua em frente a uma praia no balneário de Mar del Plata, 400 km ao sul de Buenos Aires. O evento foi transmitido ao vivo nos canais de notícias que cobrem a temporada de verão e o nome do vencedor foi divulgado no local.

O líder libertário saltou das salas de aula da universidade e assessorou corporações para a política quando criou o partido La Libertad Avanza em 2020, que denuncia o que chama de "casta política" e considera o Estado como "o inimigo, uma entidade opressora, violenta, que rouba-nos o fruto do nosso trabalho", nas suas palavras.

Nas eleições de 14 de novembro, o partido de Milei tornou-se a terceira força política na cidade de Buenos Aires, com 17,3% dos votos, e conquistou duas cadeiras na Câmara dos Deputados, embora não tenha representação no resto do país.

A iniciativa recebeu críticas de muitos dos seus pares, enquanto a Agência de Acesso à Informação Pública, entidade oficial autônoma, iniciou uma investigação para verificar o cumprimento da lei de proteção de dados pessoais, dada a possibilidade de que o verdadeiro objetivo do sorteio seja construir uma base de dados de potenciais eleitores.

"Do que Milei vive, como paga suas contas?", questionou a deputada Sabrina Ajmechet, da coalizão de centro-direita Juntos por el Cambio, principal força de oposição na Argentina, alertando que se os legisladores não recolherem salários "só os ricos poderão fazer política”.

Milei argumentou que abriu mão de sua renda na atividade privada antes de tomar posse como deputado, no dia 10 de dezembro, e que viverá dando palestras como professor de economia. /AFP

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