Deputados aprovam mudanças na previdência social da França

Projeto eleva a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos e dá força para que Sarkozy continue as reformas

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Desta vez, a pressão popular não funcionou. Ignorando as manifestações realizadas durante a semana, que mobilizaram entre um e dois milhões de trabalhadores, a Assembleia Nacional da França aprovou ontem o projeto que eleva a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos a partir de 2018. A votação representa uma vitória política importante para o presidente Nicolas Sarkozy.

A decisão, tomada por 98 votos a favor e 52 contra, ainda precisa ser referendada pelo Senado, no fim de setembro, mas a tendência é que a reforma da previdência seja aprovada.

Entre outras medidas, o projeto também eleva de 65 anos para 67 anos a idade de aposentadoria com a integralidade dos salários. Pelos cálculos do premiê francês, François Fillon, as alterações permitirão ao Estado economizar ? 18,6 bilhões a partir de 2018.

Durante pronunciamento, Fillon - que assumiu a defesa da proposta em lugar do ministro do Trabalho, Eric Woerth, acusado de corrupção - argumentou que a alteração seria a única maneira de evitar que o déficit da previdência chegasse a ? 45 bilhões por ano a partir de 2020.

Além do aspecto financeiro, o projeto tem um impacto político, já que reverte parcialmente uma decisão tomada pelo ex-presidente François Mitterrand, do Partido Socialista (PS). Em 1983, ele havia reduzido a idade de aposentadoria em cinco anos, estipulando o piso que dura até hoje.

Mudança. Em represália à votação de ontem, líderes do PS anunciaram em plenário que reverterão a lei em caso de vitória nas próximas eleições presidenciais. Fortalecidos pelos protestos que varreram a França na terça-feira, os sindicatos já anunciaram uma nova jornada de manifestações para o dia 23.

O objetivo é tentar evitar a aprovação do projeto no Senado, única foram de obrigar o governo Sarkozy a recuar. O presidente, porém, descarta qualquer mudança de rumo. "Não deixarei que ninguém descaracterize a reforma", disse Sarkozy.

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