Deputados chavistas e de oposição entram em choque

Briga começou quando opositores exigiram seu direito de palavra na Câmara; 22 políticos ficaram feridos

CARACAS, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2013 | 02h00

A disputa entre a oposição e o governo foi ampliada ontem quando um grupo de deputados governistas entrou em choque com legisladores opositores, que exigiam seu direito de palavra. O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, disse que os deputados que não reconhecerem a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais do dia 14 não participarão dos debates na Câmara.

A briga ocorreu depois que os partidários do governo, que são maioria na Assembleia Nacional de 165 membros, negaram pela segunda sessão consecutiva o direito de palavra à oposição. Pelo menos 17 deputados de oposição e 5 governistas ficaram feridos.

Maduro condenou a violência e acusou os adversários de terem iniciado a provocação. "Não estamos de acordo com isso que ocorreu na Assembleia Nacional. Sabíamos que a oposição viria provocar a violência e ocorreu uma forte troca de golpes", disse Maduro em rede de rádio e TV.

O vice-presidente Jorge Arreaza rejeitou todo tipo de violência e ofereceu aos deputados de oposição agredidos o atendimento do sistema de saúde público. "Sempre condenamos a violência, a dos bombardeios de outros países, a do imperialismo, a violência que pode existir entre dois atores políticos, sempre a condenamos, principalmente os que provocam a violência."

A Venezuela vive um clima de tensão política desde que as autoridades eleitorais proclamaram, por estreita margem, Maduro vencedor das eleições presidenciais. O candidato opositor Henrique Capriles está convencido de que ganhou as eleições e disse que Maduro, designado por Hugo Chávez como seu herdeiro, é um presidente ilegítimo.

Na sessão que começou com três horas de atraso, o deputado Pedro Carreño, chefe da bancada do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), pediu que se mantivesse o veto aos legisladores de oposição, que responderam erguendo um cartaz no qual estava escrito "golpe ao Parlamento". Segundo o deputado opositora Ismael García logo em seguida começou a confusão. "Sem meias palavras, como uns covardes, vieram pelas costas, eram várias pessoas que nos golpearam brutalmente, até mesmo as deputadas María Corina Machado e Nora Bracho. Atracaram-se com o deputado Julio Borges, que foi ferido no rosto", disse García. / AP

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