Deputados chavistas se unem e reelegem presidente da Assembleia

Eleição, normalmente protocolar, ganhou importância em razão da incerteza que cerca o próximo mandato de Hugo Chávez

05 de janeiro de 2013 | 16h58

Parlamentares venezuelanos renovaram neste sábado, 5, o mandato do presidente da Assembleia, o chavista Diosdado Cabello, sem que houvesse divisões no lado governista. A eleição, normalmente protocolar, ganhou importância política nos últimos dias em razão da incerteza que cerca o próximo mandato do líder bolivariano Hugo Chávez.

Centenas de apoiadores do presidente, em Cuba desde uma cirurgia contra um câncer feita no dia 11, ocuparam a frente do Parlamento. Eles gritavam "não voltarão", em referência à oposição, cuja maior parte dos líderes exige convocação de nova eleição se Chávez não tomar posse na quinta-feira. A tarefa de chamar uma nova votação ficaria justamente com Cabello, presidente da Assembleia, que no entanto já defendeu publicamente o adiamento do início do mandato.

O vice-presidente e sucessor nomeado por Chávez, Nicolás Maduro, considerou na sexta-feira a data uma mera "formalidade" e a tentativa iniciar a sucessão um "golpe" dos opositores. "Apesar da séria condição médica, não há nenhuma razão para declarar Chávez em ausência permanente", disse Maduro.

Uma ausência irreversível, segundo a Constituição, tornaria o presidente da Assembleia, eleito neste sábado, o encarregado de assumir o governo do país e convocar eleição presidencial em 30 dias. Maduro argumentou que o líder bolivariano solicitou no início do mês passado uma permissão de viagem que pode ser prolongada por 90 dias, o que daria margem de manobra para adiar a cerimônia de posse. O vice-presidente também acusou a oposição de planejar "um golpe".

Segundo o presidente do Instituto Dataanálisis, Luis Vicente León, a eleição para a presidência da Assembleia é importante, mas bastante previsível. "Cabello deve ser reeleito sem maiores complicações", disse ao Estado. "Não me parece provável que o presidente da Assembleia assuma a presidência, a não ser que Chávez morra antes da posse."

Próximo à ala militar chavista e com força dentro da máquina partidária do PSUV, Cabello foi preterido como herdeiro político de Chávez, que preferiu designar Maduro como sucessor, caso não tenha condições de assumir o mandato.

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