Deputados democratas fazem protesto no Congresso por leis que limitem venda de armas

Liderados por John Lewis, ícone da luta por direitos civis nos EUA, políticos sentaram no chão do plenário em protesto usado como forma de desobediência civil; presidente da Casa suspendeu sessão

O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 11h19

WASHIGNTON - Deputados democratas passaram a noite nas dependências do Congresso americano para protestar contra a falta de adoção de medidas que limitem a venda de armas no país, dias depois de 49 pessoas serem mortas em massacre numa boate de Orlando.

As cenas na Câmara dos Representantes, sem precedentes na história recente, mostram democratas sentados no chão do plenário, um protesto conhecido como "sit-in" e muito usado como forma de desobediência civil, em um ato considerado pelo presidente republicano da Casa, Paul Ryan, de "golpe publicitário".

Ryan havia se negado a votar duas leis apresentadas pelos democratas, uma para ampliar o pedido de antecedentes para a compra de armas de fogo e outra para proibir a venda dessas armas a pessoas que façam parte de listas do FBI como suspeitos de terrorismo. As propostas também foram rejeitadas na segunda-feira pelo no Senado.

Ryan, depois de tentar votar outros assuntos em uma tentativa de retomara normalidade da sessão, declarou recesso até 5 de julho e deixou o plenário, mas dezenas de deputados democratas permaneceram no local.

Eles começaram a sentar no chão pouco antes do meio-dia de quarta-feira, 22, sob liderança de John Lewis, ícone dos direitos civis, que marchou junto ao reverendo Martin Luther King nos anos 60. "O tempo para o silêncio e paciência acabou", declarou Lewis.

Passadas quase 24 horas, dezenas de democratas permanecem no plenário e os líderes do partido discutem quais serão as próximas ações.

A desobediência dos congressistas reflete a escalada política da discussão promovida pelo presidente Barack Obama quanto ao controle de armas para evitar dramas como o ocorrido em Orlando. / AFP

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