Deputados do Hamas propõem as primeiras leis islâmicas

O movimento islâmico Hamas anunciou neste domingo a implementação de normas como a separação de sexos nas escolas e o uso do véu para as mulheres, enquanto dá os primeiros passos para a reorganização das forças de segurança. As duas leis de caráter islâmico serão propostas ao novoParlamento por deputados do Hamas, e embora o movimento ainda nãotenha manifestado apoio parlamentar coletivo às propostas,acredita-se que serão aprovadas porque os islamitas possuem amaioria de 74 das 132 cadeiras.Miriam Farahat, a defensora da lei do véu, é deputada por Gaza econsidera que "os alunos que saem das escolas também devem ter umaconsciência religiosa". Farahat, que perdeu três de seus filhos na Intifada de Al-Aqsa - um deles ao perpetrar um atentado suicida contra Israel - garantiu que, assim que se inicie o mandato do novo Conselho Legislativo,apresentará seu projeto de lei.Por sua vez, o deputado Muhamad Abu Tir já anunciou uma leisimilar para separar meninos e meninas nas escolas. Abu Tir representa o distrito de Jerusalém, no qual as quatro cadeiras da população muçulmana foram para mãos islâmicas. As outras duas estão reservadas para a população cristã e os candidatos vencedores são do Fatah. Segundo Abu Tir, o Hamas tem a intenção de impor a lei islâmica (sharia) nos territórios da Autoridade Nacional Palestina (ANP).Outra assunto problemático que o movimento islâmico já começou aestudar é o que fazer com os organismos de segurança da ANP, leaisao Fatah e que em teoria respondem ao presidente, Mahmoud Abbas. O presidente disse aos chefes das forças de segurança que dependem dele, que é seu "comandante supremo" e que eles devem lhe ser leais no caso de uma crise entre o presidente, o Parlamento e o Governo.De maneira ambígua, a Lei Básica da ANP estipula que o Governo eo Ministério do Interior estão a cargo das forças de segurança,embora o presidente seja seu chefe supremo.Os esclarecimentos do presidente palestino seguem as informaçõesde que o Hamas quer reestruturar os corpos de segurança, segundo seunovo deputado no norte da Faixa de Gaza, Atef Eduan. "É muito importante recapacitar as forças de segurança e fazê-lo de acordo com a lei", disse Eduan a um grupo de jornalistas. Segundo Eduan, "haverá leis para regular as tarefas dos chefes das forças de segurança e delimitar o período de tempo que estes podem ocupar seu cargo". O deputado assegurou que isso não significa que os membros do Hamas serão nomeados dirigentes das forças de segurança, mas que os chefes serão escolhidos de acordo com sua honestidade e capacidade.Para resolver o problema da lealdade, acredita-se que o Hamaspode criar uma espécie de "guarda revolucionária" ao estilo do Irã,na qual introduziria seus homens e oficiais. Os poderes desta "guarda" devem ser delimitados pela lei, problema facilmente superável graças à arrasadora maioria Parlamentar.Em todo caso, Eduan garantiu que "todo oficial que utilizou suaposição para abusar dos direitos de palestinos terá de responderperante a lei, embora isto não signifique que seja preciso se vingardos que trabalham nos serviços de segurança".Fontes palestinas de segurança asseguraram que o presidente Abbasnão permitirá que o Hamas faça mudanças nas forças de segurança,cuja organização foi estabelecida há dois anos em negociações entrea comunidade internacional e o líder histórico Yasser Arafat.

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