Deputados egípcios votarão fim de ajuda militar dos EUA

A Assembleia Popular do Egito (Câmara dos Deputados) decidiu hoje que será votada em plenário uma resolução que anula os acordos pelos quais os Estados Unidos dão US$ 1 bilhão por ano em ajuda militar ao país. A assembleia também decidiu iniciar o processo para um voto de desconfiança no governo militar do Egito, apenas quatro meses antes da prevista transferência do poder para os civis.

RENATO MARTINS, Agência Estado

11 de março de 2012 | 18h44

A iniciativa parlamentar contra a ajuda militar dos EUA foi provocada pela permissão, dada em 1º de março pela Junta Militar, para que seis norte-americanos acusados de incitar tumultos deixassem o país. Os seis são parte de um grupo de 43 pessoas, entre elas 16 norte-americanos, acusados de fomentar a turbulência política no Egito. Nove dos norte-americanos já haviam deixado o Egito quando as acusações foram feitas; um preferiu ficar no país e os outros seis receberam permissão para partir em 1º de março, depois de os EUA ameaçarem cortar a ajuda militar ao Egito.

Durante a sessão deste domingo, vários deputados afirmaram em seus discursos que os EUA não respeitam a soberania do Egito e que os generais egípcios cederam às pressões norte-americanas. A decisão de abrir um processo de voto de desconfiança contra o governo do primeiro-ministro Kamal el-Ganzouri foi tomada depois de os deputados ouvirem os depoimentos de quatro ministros sobre o caso dos norte-americanos liberados.

Vários deputados disseram que são os generais, e não o governo, quem deve ser questionado sobre a "humilhação" imposta pelos EUA. A Junta Militar afirmou que não teve qualquer participação na liberação dos norte-americanos acusados, que teria sido uma decisão do Judiciário. Mas o juiz que abriu o processo contra os 43, Mahmoud Mohammed Shoukri, retirou-se do caso depois da primeira audiência, citando pressões políticas. As informações são da Associated Press.

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