AP Photo/Ciaran Fahey
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Deputados franceses prorrogam estado de emergência por mais 6 meses após atentado em Nice

Extensão de poderes extras de busca e apreensão para a polícia foi aprovada por 489 votos contra 26 na Assembleia Nacional da França; medida facilita revistas policiais e prisão domiciliar de suspeitos

O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2016 | 08h38

PARIS - Parlamentares franceses aprovaram nesta quarta-feira, 20, uma extensão de seis meses no estado de emergência após o ataque da semana passada na cidade de Nice, o terceiro atentado mortal em 18 meses cuja autoria foi reivindicada pelo grupo Estado Islâmico (EI) no país.

O governo socialista do presidente François Hollande continua sob pressão com relação à segurança, e o chefe do governo regional de Nice pediu um inquérito sobre a atuação policial na noite do ataque, quando um franco-tunisiano jogou um caminhão contra uma multidão deixando 84 mortos.

A extensão de poderes extras de busca e apreensão para a polícia foi aprovada por 489 votos contra 26 na Assembleia Nacional da França, Câmara baixa do Parlamento.

O projeto de lei previa uma prorrogação de três meses, mas um consenso com a oposição acabou por estender a medida por mais seis meses. Este regime, decretado após os atentados de 13 de novembro, facilita as revistas policiais e a prisão domiciliar de suspeitos.

"Quando há um ataque do qual não sabemos se haverá réplicas (...) minha responsabilidade e a do Parlamento é prorrogar o estado de emergência, por três meses, e estou disposto a ir até três meses mais", declarou Hollande em coletiva de imprensa em Lisboa na terça-feira.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, vaiado pelo público em cerimônia de homenagem às vítimas na segunda-feira e criticado pela oposição em razão do ataque, pediu por unidade nacional ao apresentar o projeto de lei emergencial durante a noite. "Precisamos nos manter unidos e focados porque precisamos ser fortes em face desta ameaça", disse.

Valls advertiu mais uma vez que haverá "outros atentados" na França e que as pessoas terão que "aprender a viver com a ameaça". "Embora estas palavras sejam difíceis de pronunciar, é meu dever fazê-lo: haverá outros atentados e mais inocentes mortos", disse.

Legislação. "O governo não vai se opor à ideia de estender o estado de emergência de maneira razoável", confirmou o secretário de Estado para as Relações com o Parlamento, Jean-Marie Le Guen.

Na terça-feira, Valls rechaçou com veemência a ideia de instaurar uma "legislação de exceção" e defendeu que a França continue sendo um Estado de direito.

No estado de exceção está incluída a possibilidade de revistas administrativas a qualquer hora do dia e da noite, sem a necessidade de autorização judicial, assim como a análise de dados de computadores e telefones encontrados. / Reuters e AFP

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