Deputados governistas abandonam Berlusconi

Seis membros da coalizão deixam governo e cresce pressão por renúncia do premiê

ROMA, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2011 | 03h03

A pressão pela renúncia do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, aumentou depois que seis deputados da bancada governista desertaram e pediram a saída dele. O governo também não conseguiu chegar a um consenso sobre o pacote de reformas econômicas que o premiê deveria apresentar na cúpula do G-20, iniciada ontem.

Em uma carta enviada a Berlusconi, e interceptada pelo jornal Corriere della Sera, os parlamentares dizem que a Itália precisa de "uma nova fase política e um novo governo". E pedem ao premiê que "tome uma iniciativa apropriada para a situação".

"Seja o aliado de uma nova fase política e um novo governo que terá a tarefa, desde agora até o final do mandato legislativo, de aplicar a agenda acertada com os sócios europeus e, com ela, as indicações do Banco Central Europeu", diz a carta enviada ao premiê.

Berlusconi rejeitou as reivindicações dos parlamentares, qualificando-as de "irresponsáveis" em um momento de forte incerteza sobre a estabilidade da Itália. Ele declarou ainda que a única opção será realizar novas eleições na primavera (na Europa), dando sinal de que não pretende abandonar o poder antes disso.

Sem consenso sobre as reformas, Berlusconi teria pedido ontem aos parceiros europeus do G-20 novo voto de confiança de 15 dias para começar a aplicar medidas contra a crise econômica, segundo disse à Reuters uma fonte do governo.

Mas o fato é que o premiê pode cair antes disso, caso os parlamentares dissidentes decidam se unir aos opositores do governo na votação de terça-feira para aprovar o orçamento de 2012 - o que pode ocorrer.

O coro pela saída de Berlusconi, agora engrossado por aliados, foi iniciado pelo opositor Partido Democrático que, na terça-feira, pediu ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, que apontasse novo governo contra a crise.

O chefe de Estado não tem poder para demitir o primeiro-ministro, mas, com a crescente deserção dos membros do LDP, a oposição acredita que poderia ter o número suficiente para derrubá-lo na próxima semana.

Berlusconi vem perdendo cada vez mais apoio dentro da base governista. O deputado Giuliano Cazzola, do Povo da Liberdade (PDL), partido do primeiro-ministro, disse em entrevista ao site de notícias Affaritaliani que Berlusconi deve renunciar e permitir que outro governo de centro-direita ocupe o poder. "O governo deveria renunciar e o PDL deveria chegar a outra solução que não seja 'nós ou eleições'", disse o deputado, sugerindo o nome do chefe de gabinete de Berlusconi, Gianni Letta, como líder da nova administração.

O presidente Napolitano disse na terça-feira que estava sondando um apoio às reformas por parte de forças políticas fora da coalizão de centro-direita, dando a entender que contemplaria um governo mais amplo, de unidade nacional.

Mas o comunicado de ontem indica que mesmo a coalizão governista não vê outra saída que não seja a renúncia do premiê. Após a Grécia, Roma - com suas incertezas políticas - passou a ser o novo alvo dos mercados.

O plano de Berlusconi para o crescimento e redução da dívida não convenceu e há temor de que a Itália, terceira maior economia da zona do euro, seja engolida pela crise. / REUTERS

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