Deputados oposicionistas fazem greve de fome contra Evo

Três deputados da União Nacional (UN, de oposição), da Bolívia, aderiram a uma greve de fome iniciada por sete outros constituintes, para reivindicar do governo do presidente Evo Morales o cumprimento da lei para a aprovação da nova Constituição.O grupo começou o protesto na quarta-feira à noite na cidade de Sucre, onde a Assembléia Constituinte debate a futura Constituição do país. Dos três novos integrantes, um deputado está em La Paz, sede do governo, e dois em Santa Cruz.O Movimento ao Socialismo (MAS), comandado por Morales, pretende aprovar sem consenso o artigo 71 do regulamento da Assembléia, que estabelece a maioria absoluta em lugar dos dois terços exigidos pela Constituição atualmente em vigor para aprovar o novo texto. O MAS tem 137 cadeiras, das 255 da Assembléia. Para alcançar os dois terços, precisaria de um total de 170 votos."A atitude do MAS está tomando ares de ditadura, o que não vamos permitir", explicou Arturo Murillo, o deputado da UN que aderiu à greve em La Paz. Ele acrescentou que o grupo não aceita ver "atropelados" seus direitos. "Isso aconteceu no caso da lei de reforma agrária", disse.O projeto foi aprovado na quarta-feira à noite na Câmara, com os votos da maioria governista. Os partidos da oposição abandonaram o debate. "Em nosso país as minorias merecem ser representadas", ressaltou. Murillo explicou que vários militantes do partido também entraram em greve de fome em La Paz, Santa Cruz e Sucre. Nesta sexta-feira, está prevista a adesão de mais pessoas ao protesto em Cochabamba.Em Sucre, Samuel Doria Medina, líder da UN, disse que com a greve de fome espera que o povo boliviano "se pronuncie e mostre ao MAS que quer uma Assembléia de consenso". Porta-vozes do maior partido de oposição da Bolívia, o Poder Democrático e Social (Podemos), analisam medidas legais para defender os dois terços como fórmula de votação na Assembléia.

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